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Patrícia Costa

COP30 convoca empresários em carta aberta

Setor privado é chamado para protagonizar a transição climática, mas especialistas alertam que sem monitoramento rigoroso a agenda pode se perder em marketing verde

Patricia Costa

Presidente da COP30, André Corrêa do Lago,
Presidente da COP30, André Corrêa do Lago, Reprodução/Jovem Pan News

A sétima carta da presidência da COP30, divulgada esta semana, marcou uma inflexão clara: o setor privado não é mais coadjuvante, mas protagonista da ação climática. André Corrêa do Lago, presidente-designado da conferência, foi direto ao afirmar que “não basta negociar, é preciso implementar e monitorar”. Um recado que ecoa como crítica ao histórico de iniciativas que ficaram no papel. Hoje, a Agenda de Ação da ONU contabiliza quase 500 compromissos voluntários de empresas e coalizões. Mas, como reconheceu Corrêa do Lago, “ninguém lembra de mais de 30”. O dado expõe o risco da fragmentação e da falta de acompanhamento: muitas vezes, o discurso empresarial ocupa espaço na diplomacia climática, mas não se converte em resultados concretos. O Brasil, por sua vez, tenta projetar liderança também pelo setor privado. A iniciativa C.A.S.E. — que reúne nomes como Bradesco, Itaúsa, Natura, Nestlé e Vale — pretende mostrar soluções brasileiras replicáveis no mundo. A mensagem é estratégica: transformar a COP30 em vitrine global da “nova economia verde” e posicionar o país como polo de inovação climática.

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Mas há dilemas. Colocar as empresas no centro da transição significa reconhecer seu poder de investimento e inovação, mas também transferir responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com governos e sociedade civil. Sem regulação forte e mecanismos de transparência, o protagonismo pode abrir espaço para greenwashing e captura da agenda por interesses corporativos. A COP30, em Belém, será um teste. O setor privado terá a chance de demonstrar que pode ir além de relatórios anuais e compromissos de longo prazo para entregar metas verificáveis e impacto real. Se conseguir, ajudará a destravar bilhões em investimentos para energia limpa, adaptação e proteção da biodiversidade. Se falhar, reforçará a percepção de que o clima virou apenas um negócio — e que a conta das emissões continua sendo paga por populações vulneráveis.

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