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Patrícia Costa

Discurso climático de Lula convive com avanço da exploração de petróleo na Amazônia

Enquanto defende a COP30 no Pará como demonstração da "real situação", o governo pressiona o Ibama para liberar exploração de combustíveis fósseis na região

Patricia Costa

Lula discursa na Plaza de Armas, em Bogotá, durante a Cúpula dos Países Amazônicos
54738156850_66cd62cd48_k Ricardo Stuckert/PR

A Amazônia, epicentro das discussões climáticas, tornou-se também palco de uma contradição inquietante. Na cúpula da OTCA em Bogotá, o presidente Lula defendeu com firmeza a escolha de Belém como sede da COP30, afirmando que “não é lugar chique” como Paris, mas sim o lugar da “real situação” da floresta e das comunidades que vivem dentro dela. Essa é a principal razão para mostrar o bioma como ele realmente é — com rios, matas, povos — e exigir uma agenda de continuidade climática baseada naquilo que acontece no chão.  O presidente foi além: “A descarbonização não é uma escolha, mas uma necessidade”, alertou. Ele ressaltou que se o aquecimento global dizimar a floresta, “o povo amazônico será a primeira vítima” — e destacou que a participação social será essencial para o sucesso da COP30. Lula também relembrou o que considera o ponto de partida deste processo: “A cúpula de Belém representou a semente de um novo sonho amazônico”, e Bogotá seria o cenário onde esse sonho começa a ganhar forma — antecipando a COP30 como etapa decisiva para reforçar essa nova visão. Por último, o presidente avisou que o fundo Florestas Tropicais para Sempre será lançado durante a COP30 — um mecanismo financeiro inovador para remunerar a conservação. Ele também defendeu a criação de quatro “círculos de diálogo”: com ex-presidentes de COPs, ministros da Fazenda, povos indígenas e o Balanço Ético Global — todos integrando a preparação brasileira para o evento climático. Mas o discurso encontra uma dissonância aguda no campo prático.

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Ao mesmo tempo em que Lula fala em justiça climática, floresta viva e descarbonização necessária, a Petrobras prepara uma simulação de derramamento na Foz do Amazonas — um ensaio que sinaliza a iminente liberação da exploração petrolífera na Margem Equatorial. O que aprofunda a contradição é o fato de que a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) — estudo essencial para mapear os riscos desse tipo de operação — foi pulada no processo. Enquanto o Brasil busca protagonismo climático e uma COP na Amazônia com discurso humanizado, ensaia nos bastidores o avanço de uma das maiores fronteiras de extração de combustíveis fósseis. Se a Amazônia é apresentada ao mundo como símbolo de futuro, resta saber se haverá coerência para sustentá-la na prática.

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