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Patrícia Costa

Estudo revela que terras indígenas reduzem em 27% a propagação de doenças

Pesquisa mostra efeito direto da preservação indígena na saúde pública e reforça papel estratégico desses territórios para clima e economia

Patricia Costa

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Indígenas Waiãpi no Amapá Divulgação Iphan/Heitor Reali

Um novo estudo publicado na revista Nature traz evidências inéditas sobre o papel dos povos indígenas na preservação ambiental e na saúde pública. A pesquisa mostrou que as terras indígenas na Amazônia funcionam como um “escudo verde”, capazes de reduzir em 27% a propagação de doenças em regiões vizinhas. Esse resultado reforça que a conservação da floresta não se limita a biodiversidade. Ao manter o equilíbrio dos ecossistemas, os povos indígenas reduzem queimadas, que são grandes responsáveis pela emissão de fumaça tóxica associada a problemas respiratórios e cardíacos. Também diminuem o risco de novas zoonoses, já que o avanço do desmatamento aumenta o contato entre humanos e animais silvestres. Além do impacto direto na saúde, o estudo aponta benefícios econômicos. Estima-se que a preservação das terras indígenas evite bilhões de dólares em gastos anuais com tratamentos médicos relacionados ao fogo e à poluição do ar. Em um cenário de restrições orçamentárias, essa economia se soma à contribuição climática e à segurança alimentar que esses territórios oferecem.

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O conhecimento tradicional dos povos originários, aliado à ciência, mostra que garantir a demarcação e a proteção das terras indígenas não é apenas uma questão de direitos. É também uma política de Estado capaz de gerar saúde, reduzir custos e combater a crise climática. Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, o Brasil tem diante de si uma oportunidade histórica: transformar esse dado científico em ação política, reconhecendo que proteger as terras indígenas significa proteger o futuro comum.

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