Marina Silva, alvo de ataques, expõe o custo de defender o meio ambiente no Brasil
Hoje o Senado foi palco de mais um capítulo lamentável na política ambiental brasileira. Durante uma audiência pública, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixou a sessão após ser atacada de forma agressiva e desrespeitosa por parlamentares. O que se viu não foi apenas divergência de ideias, mas violência política de gênero. “Me senti agredida fazendo meu trabalho”, disse a ministra, em uma frase que resume a cena que indignou especialistas, ambientalistas e até mesmo a primeira-dama Janja da Silva, que saiu em sua defesa. A fala do senador Plínio Valério, ao afirmar que respeitava “a mulher Marina, mas não a ministra”, escancarou a misoginia que ainda marca o Congresso. O tratamento, segundo nota oficial do Ministério das Mulheres, foi “grave, absurdo e misógino”. Marina Silva não é uma figura qualquer no cenário político. Ex-seringueira, alfabetizada aos 16 anos, ela se tornou símbolo da luta socioambiental, ajudou a reduzir o desmatamento da Amazônia em 83% nos anos 2000, e foi reconhecida mundialmente como uma das maiores defensoras do clima. Ao deixá-la vulnerável a ataques, o Senado não fere apenas uma mulher. Fere décadas de avanços ambientais e políticos que ela representa.O momento é ainda mais grave quando lembramos o que está em jogo. A tentativa de desmontar o licenciamento ambiental, flexibilizar a proteção de áreas sensíveis e esvaziar a política climática brasileira ocorre justamente enquanto o país se prepara para sediar a COP30. Um paradoxo doloroso: o Brasil quer liderar o discurso ambiental global, mas silencia uma de suas principais vozes.
[cta-selector name=”model2″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/640_3anos-JPNews.jpg” text2=”Siga o canal da Jovem Pan News e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]
Não se trata apenas de Marina Silva. Trata-se do que ela representa: ciência, sustentabilidade, coerência. Atacá-la é atacar a política ambiental brasileira. E, infelizmente, esses ataques têm encontrado eco em um Congresso cada vez mais disposto a ceder à pressão de grupos que veem o meio ambiente como obstáculo — e não como ativo estratégico. A saída de Marina da audiência é simbólica. Mostra os limites do diálogo num ambiente onde o debate é substituído pela intimidação. Mas também revela sua coerência: Marina não se cala, mesmo quando tentam calá-la. E sua história prova que, diante da injustiça, ela sempre responde com mais firmeza e ainda mais propósito.