Como se virar quando outros oradores antecipam o que você iria dizer?

Ouvintes impertinentes, imprevistos com os aparelhos de som ou palestras com o mesmo tema são situações que exigem perspicácia e jogo de cintura de quem fala ao público

  • Por Reinaldo Polito
  • 24/03/2022 09h00
Reprodução/Jovem Pan News Trecho do programa Os Pingos nos Is Em programas como Os Pingos nos Is, é comum ver participantes fazendo referências uns aos outros

Quem fala em público está sujeito aos mais diversos contratempos. Não são poucos os casos de ter de enfrentar, por exemplo, um ouvinte impertinente, que pede para fazer uma pergunta e resolve proferir palestra, como se ele fosse o orador convidado. O palestrante deve ser hábil para retomar a palavra, e uma boa estratégia é fazer elogios a alguma informação que ele tenha transmitido. A pessoa fica em silêncio para ouvir suas referências elogiosas, e você recupera a apresentação.

Há situações em que os aparelhos de som ou de projeção enguiçam e é preciso encontrar saídas sem eles. Esses imprevistos são mais comuns do que se possa imaginar. Nesse caso, é conveniente abandonar os aparelhos e fazer a apresentação sem nenhum recurso de apoio. Vale a pena treinar para essas eventualidades. Pode acontecer, também, que o palestrante anterior se entusiasme com a boa receptividade da plateia, estique a apresentação além do horário combinado e avance no seu tempo. Por causa da falta de sensibilidade e egoísmo dele, você tem de decidir o que irá cortar da sua fala para não prejudicar o bom andamento do evento. Nesses momentos, não adianta tentar falar mais rápido, é preciso cortar exemplos e explicações complementares para atender ao tempo disponível. 

Você já esteve em um evento no qual todos os participantes deveriam falar sobre o mesmo tema? E alguns que o antecederam “roubaram” o seu discurso? Fala um, e antecipa parte do que você havia planejado. O seguinte leva mais um naco. O outro “surrupia” mais uma ideia. Quando chega a sua vez, o que dizer se não sobrou quase nada? Sem desespero. Em comunicação, quase sempre há alternativas para todas as situações, por mais constrangedoras que pareçam. Como as suas ideias já foram expostas por outras pessoas, a saída é montar sua nova apresentação aproveitando o que os participantes disseram.

Você dirá exatamente o que havia planejado dizer, mas agirá como se estivesse criando o seu discurso diante do grupo. Por exemplo: “O plano de terceirização defendido pelo Paulo Roberto tem uma vantagem que julguei bem interessante. Nós não ficaremos mais dependentes de uma produção sazonal. Com relação ao investimento necessário para a implantação do novo processo, acredito que a melhor alternativa seja essa apresentada pelo Ricardo. Devemos aproveitar as baixas taxas de juros aplicadas no mercado para não comprometer nossas reservas. Podemos assim preservar o nosso fluxo de caixa”. Você passa a impressão de desenvolver o raciocínio naquele momento e não deixa de dizer o que havia preparado. Essa atitude dará ainda mais credibilidade às suas informações. 

Se, por acaso, tiver de falar em um evento com a participação de diversos palestrantes, tome o cuidado de assistir a todas as palestras proferidas antes da sua apresentação. Anote todos os pontos que guardem semelhança com o que tem intenção de explanar. Em certos casos, é possível aproveitar as anotações para preparar uma nova exposição sem abandonar o que já estava previsto. Alguns programas da Jovem Pan têm essa característica, principalmente o 3 em 1 e Os Pingos nos Is. Os participantes precisam fazer comentários a respeito do tema em discussão. Os que falam antes conseguem abordar o assunto pelo ângulo que julgam mais conveniente. Os outros devem desenvolver análises distintas, que os diferenciem. Entra aí o preparo, a experiência e o jogo de cintura. Observe como resolvem essa questão com bastante tranquilidade.

Geralmente todos possuem informações e pontos de vista próprios. Quando, entretanto, as observações se esgotam, ninguém se sente pressionado. Fazem referência ao comentário de um de seus antecessores como se estivessem analisando a própria análise. Por exemplo: “O Fiuza foi cirúrgico no seu comentário quando falou da falta de comprovação científica para justificar o isolamento de todas as pessoas dentro de casa”. Assista a alguns programas e observe como os participantes se comportam. Veja como aplicam essas técnicas com segurança. A maioria talvez atue assim de forma intuitiva, apenas com base em sua vivência. De uma maneira ou de outra, são exemplos que nos ajudam a descobrir como também podemos agir em situações semelhantes. Siga pelo Instagram: @polito.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.