Com crise da Covid-19, programa de formação de professores deverá passar por revolução

Na atual conjuntura, percebemos a necessidade, de fato, de propostas de ensino remoto desde a educação infantil até o ensino superior

  • Por Renato Casagrande*
  • 29/09/2020 10h12
MARCO AMBROSIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOA escola e o professor passam por um processo de quebra de paradigma

Começamos o ano letivo de 2020 com alguns desafios que já perduram há anos em nossas cabeças, principalmente relacionados à formação de professores. É importante ressaltar que, antes da pandemia, já vivíamos um período de grande pressão por mudanças, pois costumávamos dizer que tínhamos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI. Assim, a escola praticamente continuava com seus padrões tradicionais, adiando para amanhã estas importantes mudanças. Atualmente, com esta revolução na educação, pressionada agora pela Covid-19, percebo três temas muito relevantes quanto ao papel e a atuação do professor: 1- A mudança no processo de ensino aprendizagem condizente com a realidade da sociedade, quanto à revolução digital. 2- A relação da escola e dos professores com as famílias; 3- O tratamento da inclusão e da diversidade.

A mudança no processo de ensino e aprendizagem condizente com a realidade da sociedade quanto à revolução digital 

Com mais propriedade, os professores começaram a perceber as contribuições fantásticas que as tecnologias podem oferecer à educação, assim como já fazem há tempos em praticamente todos os setores da sociedade.  Entre tantas outras possibilidades, utilizam os motores de buscas inteligentes, incluindo em suas aulas textos com hyperlink, que têm permitido que seus alunos se desloquem para lugares, ou para o contato com informações diversas em qualquer momento. As aulas se tornaram mais atraentes a partir do uso do áudio e do vídeo, permitindo, também, que os materiais e programas acessados possam ser baixados e editados, de acordo com as necessidades de cada aluno ou professor.

A relação da escola e dos professores com as famílias 

Na atual conjuntura, percebemos a necessidade, de fato, de propostas de ensino remoto desde a educação infantil até o ensino superior, tudo iniciado de forma tão improvisada que muitas vezes não acreditávamos que seria possível, então, fomos forçados a implantar a educação não presencial em nossas propostas pedagógicas e nos reinventar como professores e educadores.

Essas mudanças sociais e educacionais obrigaram as famílias a participar mais da vida escolar dos filhos e acompanhar seus estudos. Muitos pais estão surpresos com o comportamento positivo ou negativo dos seus filhos, assim como estão surpresos com o trabalho desenvolvido pelos professore e escolas. Sentimos que os pais estão valorizando muito mais esses papéis. E à medida que os pais estão participando mais, as críticas são mais do que naturais. No entanto, são elas que estão ajudando os professores e gestores a encontrarem caminhos que venham ao encontro de muitas expectativas desses pais e que sejam minimamente satisfatórias do que tange à aprendizagem dos alunos em sua diversidade.

O tratamento da inclusão e da diversidade

Assim, a escola e o professor passam por um processo de quebra de paradigmas, de redução de estigmas e preconceitos pela necessidade de encarar uma nova forma de ensinar, não mais centrada na sala de aula e nem nos métodos de ensino até então utilizados com relativo sucesso e aquilo que era proclamado já em estudos de um ensino mais personalizado em que o aluno se torna protagonista do seu processo de aprendizagem.

Essa a mudança do papel do aluno de sujeito passivo para sujeito ativo, possibilita uma visão individualizada das habilidades dos alunos e dos melhores métodos para a aprendizagem dos mesmos, pois a possibilidade de recursos de uma metodologia com suporte tecnológico se torna significativamente maior que os recursos de uma metodologia direcionada para aparatos da sala de aula. Nessa modalidade de ensino, o professor tem mais possibilidades de encontrar forma de ensinar e de possibilitar o aprendizado efetivo considerando a turma em sua diversidade.

Precisamos admitir que ainda temos muitas incertezas, medos e desafios pairando no ar, mas sabemos que de tudo isso vamos tirar grandes lições e evoluir em muitos pontos no que tange o conhecimento e uso de novas tecnologias. É momento de aprendizado, é momento de formação, é momento de reflexão, mas também é momento de ação e de construção de novas rotas para a educação. Seguimos trabalhando com afinco e pensando sempre em dias melhores, em pousos mais seguros e na revolução tão necessária nos programas de formação dos professores e também nas nossas práticas docentes e de gestão escolar.

*Renato Casagrande é professor, pesquisador e escreve sobre educação e seus impactos na sociedade.