Caged, Novo Caged e Pnad: Qual a estatística mais confiável para indicar a atual situação do emprego no Brasil?

Números variam dependendo da base de dados utilizada; contabilização ou não de informais, temporários, autônomos e empregados domésticos explicam a diferença

  • Por Samy Dana
  • 29/04/2021 12h25 - Atualizado em 29/04/2021 12h26
Márcio Fernandes de Oliveira/Código Imagem/Estadão ConteúdoMarço registrou 184.140 vagas a mais, segundo o Caged; já para a Pnad, emprego não melhorou nem piorou

Qual a situação atual do emprego no Brasil? Depende da estatística. Pode estar melhorando, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quarta-feira, 28, pelo Ministério da Economia, para os empregos com carteira assinada. No saldo, entre contratações e demissões, foram 184.140 empregos a mais. E isso em um mês em que a epidemia de Covid-19 voltou a acelerar no país. Ou não melhorou e nem piorou, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que aponta a taxa de desemprego. O número de desempregados no trimestre móvel encerrado em janeiro, último dado oficial divulgado, é o pior da série histórica e não teve nenhum ganho na comparação com o final de 2020.

No mesmo mês, o Caged havia apontado 260 mil vagas formais a mais no saldo do mês. Em uma estatística, as vagas formais aumentaram 837.074 no saldo dos primeiros três meses de 2021. Em outra, o emprego não se mexeu. Como é possível? A resposta está nos componentes de cada levantamento. O Caged leva em conta só quem tem CLT. Ou seja, não inclui os informais. Seus números são obtidos junto a empresas. A Pnad inclui, além de quem tem carteira assinada, também os informais, trabalhadores por conta própria e domésticos. Obtém dados em pesquisa domiciliar. 

Caged (março)

  • Contratações: 1.608.007 
  • Demissões: 1.423.867
  • Saldo   184.140
Fonte: Ministério da Economia

Pnad

  • Desemprego: 14,3 milhões (14,2%)
Fonte: IBGE


Mas não é a única comparação complicada O Caged foi alterado no começo de 2020, passando a incluir também dados do
eSocial e do EmpregadorWeb, sistema em que são registrados pedidos de seguro-desemprego. Passou, inclusive, a ser chamado de Novo Caged para se dissociar do antigo. Entram na conta como formalizados os trabalhadores temporários, avulsos, agentes públicos, trabalhadores cedidos e dirigentes sindicais, bem como contribuintes individuais e bolsistas. Com isso, passou a registrar 100 mil admissões mensais a mais do que antes. O  que gera algum ruído nos números. Ficou impossível comparar o Novo Caged não só com a Pnad, mas também com o próprio Caged antes da mudança.

Só 17% dos trabalhadores temporários, por exemplo, foram incluídos no Caged dos anos anteriores a 2020, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No Novo Caged, acabam elevando a estatística de empregos com carteira assinada. São metodologias e fontes de dados distintas, levando a resultados diferentes. E que, no fim, resultam em um descolamento entre a atividade na economia e a estatística de emprego formal. No fim, como apontam os especialistas ligados ao mercado de trabalho, a Pnad hoje é a fonte mais confiável. E mostra uma situação de estabilidade no emprego.