E se trabalhássemos só quatro dias por semana? Nova Zelândia faz a experiência

Testes em empresas privadas mostram que o encurtamento da semana reduz os níveis de estresse e eleva o comprometimento com o trabalho

  • Por Samy Dana
  • 05/12/2020 08h00
Julian Smith/Efe - 10/06/2020Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, lançou proposta de semana de trabalho com quatro dias

É sempre difícil acertar previsões, mas 2020 deve entrar para a história como o ano em que o trabalho mudou. Com o impedimento de viagens, reuniões presenciais se tornaram online, uma mudança que, por questão de custos e de tempo, tende a se manter. Porém, a grande transformação foi o trabalho remoto. O home office passou a ser uma realidade para muitos trabalhadores devido às medidas de isolamento e também como proteção contra o coronavírus. Mas talvez não seja a única mudança que vai marcar o ano. Uma ideia para lidar com a nova realidade do trabalho que tem sido mais discutida neste ano é encurtar a semana. Em vez de cinco dias de trabalho, quatro. A proposta foi lançada em maio pela primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Na visão do governo local, é uma forma de equilibrar vida e trabalho, mas também de estimular o turismo no país, dando mais tempo à população para viajar. Na esteira da proposta, a Unilever, multinacional de produtos de beleza e também de alimentos, anunciou na última terça-feira que resolveu experimentar. Por um ano, os empregados vão poder escolher em quais dias da semana trabalharão.

A ideia é de que, com mais tempo livre, os funcionários se tornarão mais satisfeitos e também produtivos. Mas não é a primeira vez em que é tentada. Na própria Nova Zelândia, a Perpetual Garden, empresa do ramo imobiliário, chamou atenção mundial há dois anos com seu experimento da semana de quatro dias que se transformou em projeto acadêmico. Todo o projeto foi acompanhado por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Auckland. E foi um experimento elaborado, com um mês de preparação, discussões internas e, depois, duas rodadas de entrevistas com os empregados sobre como tinha sido para eles a redução no número de dias.

Resultados

Com 5 dias
Estressados: 45%
Vida mais equilibrada: 50%
Comprometidos com o trabalho: 68%
Estimulados a produzir: 66%

Com 4 dias
Estressados: 38%
Vida mais equilibrada: 80%
Comprometidos com o trabalho: 88%
Estimulados a produzir: 84%

A maioria dos relatos foi de um bem-estar maior, assim como mais satisfação com a vida, a saúde e o lazer. O percentual de funcionários que se diziam estressados, por exemplo, caiu de 45% para 38%. Além disso, 8 em cada 10 empregados disseram que passaram a equilibrar melhor trabalho e vida pessoal. E o compromisso com o trabalho também aumentou, assim como a sensação de que estavam mais estimulados a produzir. Agora e do ponto de vista da empresa? Deu tão certo que a Perpetual Garden adotou a semana de quatro dias em definitivo. Não é o único caso. No Japão, onde as jornadas de trabalho costumam ser exaustivas, a Microsoft realizou um experimento parecido, estendendo em um dia o final de semana de seus funcionários. Resultado: a produtividade aumentou 40%.