A final da Copa de 2022 foi um dos jogos mais memoráveis da história
Messi e Mbappé mediram forças em um dos melhores jogos em todos os tempos
Qualquer lista que apresenta os melhores jogos da história das Copas deve relacionar, obrigatoriamente, a final de 2022. As partidas decisivas de mundiais costumam ser amarradas, com as seleções se arriscando pouco e evitando, ao máximo, se expor. O duelo decisivo no Qatar quebrou todo esse receituário. Bilhões de pessoas foram para frente da TV assistir a um dos maiores espetáculos de todos os tempos.
O embate no Lusail definiria um novo tricampeão do mundo e colocaria à prova a inédita hegemonia europeia. Desde 2006, apenas seleções do velho continente erguiam o caneco. De um lado, Mbappé, que aos 23 anos tentaria o bi, e do outro, a estrela de Messi, em busca do único título que lhe faltava na carreira. O primeiro tempo foi todo da Argentina: o camisa 10 abriu o placar aos quatro minutos, em cobrança de pênalti, e Di María, aos 35, aumentou a vantagem. Méritos para o técnico Scaloni que colocou o atacante na ponta esquerda. Didier Deschamps precisava se desamarrar do esquema tático adversário e, ainda na etapa inicial, acionou Muani e Thuran (filho do craque campeão em 1998).
Quando os argentinos já davam o título como certo, Mbappé diminuiu, de pênalti, aos 35 minutos da etapa final. Para desespero do adversário, o craque fez o segundo aos 37 minutos e levou o jogo para uma prorrogação histórica. A próxima meia hora foi classificada como “maluca” pela imprensa do planeta. Aos quatro minutos do tempo extra, Messi balançou as redes. Apesar da defesa de Lloris, a bola tinha cruzado a linha: 3 a 2. Naquele instante, os dois camisas 10 estavam empatados na artilharia do mundial com 7 gols. Entretanto, quando o relógio marcava 11 minutos do segundo tempo da prorrogação, Montiel cometeu um pênalti. Mbappé cobrou com categoria, fez o oitavo dele na Copa, o terceiro gol na finalíssima, igualando o hat-trick do inglês Hurst, na decisão de 1966. O goleiro Martínez ainda fez um milagre ao defender um chute, cara a cara, com Muani.
O título seria decidido nas penalidades, repetindo 1994 e 2006. Abrindo as cobranças, Mbappé converteu. Na sequência, foi a vez de Messi marcar: 1 a 1. Coman chutou e Martínez defendeu de forma brilhante. Dybala colocou os hermanos na frente: 2 a 1. Depois, Tchouameni chutou rasteiro e a bola triscou na trave direita do goleiro e foi para fora. Em vantagem, a Argentina ampliou com Paredes: 3 a 1. Muani amenizou o peso para os franceses e fez 3 a 2. A responsabilidade, agora, estava toda nos pés de Gonzalo Montiel. Mas, o camisa 4, não sentiu o peso de 36 anos sem títulos dos argentinos e a bola entrou no canto direito de Lloris, que foi para o lado oposto, confirmando o tricampeonato (1978-1986-2022).
ARGENTINA 3×3 FRANÇA (pênaltis – 4×2) – LUSAIL – 18.12.2022
Argentina: Emiliano Martínez; Molina (Montiel), Romero, Otamendi e Tagliafico (Dybala); Enzo Fernández, De Paul (Paredes) e Mac Allister (Pezzella); Di María (Acuña), Messi e Julián Álvarez (Lautaro Martinez). Técnico: Lionel Scaloni
França: Lloris; Koundé (Disasi), Varane, Upamecano e Theo Hernandez (Camavinga); Tchouaméni, Rabiot (Fofana) e Griezmann (Coman); Dembélé (Muani), Mbappé e Giroud (Thuram).
Técnico: Didier Deschamps .
Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
Assistentes: Pawel Sokolnicki e Tomasz Listkiewicz (Polônia)
Público: 88.966 Cartões amarelos: Enzo Fernández, Acuña, Paredes e Montiel (Argentina) e Rabiot, Giroud e Thuram (França)
Gols: Messi (22) e Di Maria (35) no primeiro tempo. Mbappé (35 e 37) na etapa final. Messi (4) no primeiro tempo da prorrogação. Mbappé (11) no segundo tempo da prorrogação.
Fim da hegemonia europeia e a América do Sul, com a Argentina, voltava ao topo do mundo. Festa no Lusail e nas ruas do Qatar. Em Buenos Aires, a torcida entrou em êxtase. Nada mais justo do que Messi erguer o troféu que ele tanto perseguiu. Na cerimônia no gramado, o jogador foi vestido pelo emir do Qatar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, com o Bisht. A roupa preta, transparente e com detalhes em dourado, é usada em ocasiões especiais no país. Depois, ele recebeu a taça das mãos do emir e do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e se dirigiu até os companheiros para dar início à festa.
Assim como Maradona, que brilhou em 1986, Messi agora tinha uma Copa para chamar de sua. Eleito melhor jogador do mundial, só faltou a artilharia, que ficou com Mbappé, com oito, um a mais do que o adversário. O francês entrou para a história como o quinto a marcar em duas finais de Copa, ao lado de Pelé, Vavá, Zidane e Breitner. Ele também se igualava ao Rei com 12 gols em mundiais.
Ouça um compacto da partida final da Copa de 2022 com a narração de Nílson César:
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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