Como? MTST resolve aprender algo com o MBL? Que tal o respeito à democracia?

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 08/06/2016 10h44
Guilherme Boulos

Ô, que boa notícia!!! Leio que o MTST resolveu adotar ao menos uma prática que já integrou os instrumentos de mobilização do MBL (Movimento Brasil Livre). Falta agora aderir às demais:
– respeitar as leis, em vez de cometer crimes;
– subordinar-se ao estado de direito;
– respeitar o direito de quem pensa de modo diferente;
– adotar a democracia como um valor inegociável;
– manter a integridade dos patrimônios público e privado…

Em suma, Guilherme Boulos e seus brucutus têm muito a aprender, em matéria de respeito às instituições democráticas, com Renan Santos, Kim Kataguiri e Fernando Holiday, entre outros.

Por que isso?

Leio que o MTST resolveu aderir aos instrumentos de crowdfunding — campanhas de arrecadação de recursos pela Internet — para financiar suas atividades. Ou melhor, a sua principal atividade hoje: pedir o fim do governo Temer. No ar desde o fim de maio, informa a Folha, o movimento já arrecadou R$ 9.696.

Por que comecei falando sobre o MBL? O movimento também já recorreu às ferramentas de crowdfunding para financiar a Marcha Pela Liberdade, em 2015, em defesa do impeachment. Que o MTST faça o mesmo, é claro que não vejo problema. Mas há algumas diferenças, não é?, além das óbvias: o MBL lutava por uma saída que está na Constituição e nas leis. Os ditos sem-teto não aceitam o que está nem em uma nem nas outras.

Ao falar sobre a arrecadação de dinheiro pela Internet, disse Guilherme Boulos, o dono do MTST:
“O MTST preza por sua autonomia financeira. Nós não cobramos mensalidade dos trabalhadores sem-teto que moram nas ocupações nem recebemos financiamento estatal ou partidário, então a forma que nós temos de financiar nossa luta é por doações de parceiros ou campanhas desse tipo.”

Autonomia financeira? Todo mundo sabe que o MTST é uma das entidades que recebem recursos do governo federal para tocar projetos de moradia. As casas são distribuídas entre os militantes do grupo. A modalidade “Minha Casa Minha Vida Entidades” foi criada por Dilma para atender a grupos como o MTST.

Mais: qualquer militante sabe que o grupo é íntimo do PT e que opera como linha auxiliar do partido.

E notem: poderia e pode defender o que lhe desse ou lhe dê na telha. Desde que se subordine aos valores democráticos.