Como possível alternativa a Trump, surge outro radical detestado pelas elites republicanas

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 07/03/2016 12h13
Ted Cruz e Donald Trump (segurando o bebê) têm 84 delegados de diferença nas prévias republicanas

Contra o caos Trump, as elites do Partido Republicano começaram a apostar e a investir no cenário de um caos da convenção presidencial em julho. A ideia era um racha na convenção com dois ou três candidados com número suficiente de delegados para impedir que Trump conseguisse a marca mínima de 1237 delegados para ser consagrado candidato do partido contra a democrata Hillary Clinton em novembro. Pelas regras, a decisão deveria ser feita ali no calor da convenção, com a esperança de que surgisse uma alternativa forte ao bilionáiro bufão.

No sábado, o plano caótico começou a pifar, como tanta coisa que está acontecendo neste imprevisto ciclo eleitoral. As elites republicanas investiram no senador Marco Rubio como a alternativa mais desejável contra Trump na convenção. Mas ele deu mais um vexame nas primárias realizadas no sábado. Apenas um nome emergiu na cola de Trump, o senador Ted Cruz, ultraconservador e detestado pelas elites republicanas.

Cruz simplesmente não tem chance contra Hillary Clinton em novembro. Ele quer levar o Partido Republicano ainda mais para a direita e sua atuação no Congresso é marcado pelo confronto perene com os democratas e bravatas sobre a necessidade de purismo ideológico. Seu bom desempenho nas primárias apenas confirma o radicalismo da base republicana, assim como o desespero de tantos simpatizantes do partido para encontrar alguma alternativa a Trump, um demagogo que está longe do purismo conservador e que seduz as massas com suas promessas irrealistas, marcadas por xenofobia, um pendor para o protecionismo comercial e insultos disparados a torto e a direito.

Rubio passou a insultar sem cessar o mestre dos insultos e a tática não surtiu efeito. Agora é este cenário definido como simplesmente atroz de republicanos menos radicais precisando optar entre Cruz e Trump. É verdade que existem divisões entre os democratas na corrida das primárias, entre Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders, um radical de esquerda, mas nada que se compare ao caos e à guerra civil na banda republicana.

Com sua demagogia e capital de celebridade, Trump tomou o Partido Republicnao de assalto, que agora vive uma crise de identidade, uma crise existencial. Ter Ted Cruz como candidato não resolve o problema. Apenas o agrava. Com Trump, nem se fala. Qual será o novo plano das elites republicanas?

Pelo histórico, nada que seja promissor para um partido que sonha em retomar a Casa Branca dos democratas, mas que vive um pesadelo histórico com o conflito entre as bases enfurecidas e uma elite desacreditada.