A compaixão nem sempre é uma virtude

  • Por Rachel Sheherazade/ JP
  • 14/09/2015 11h15
Folhapress

O Supremo determinou que em um prazo de três meses, toda pessoa presa em flagrante delito, ou seja, aquela que está praticando ou acabou de praticar um crime, deve ser apresentada a um juiz de direito em até 24 horas. Com isso, o poder judiciário nos estados deverá colocar em prática as chamadas audiências de custódia.

As audiências de custódia, que contam com a presença do juiz, do promotor e de um advogado, estão previstas em tratados internacionais assinados pelo Brasil, como o Pacto de San Jose.

Ao inquirir o preso, o juiz deverá avaliar se a prisão é legal, se houve tortura ou maus tratos, e ainda se a melhor medida é manter o suspeito atrás das grades ou libertá-lo.

Mas, a idéia principal dos defensores da audiência de custódia é liberar as carceragens, reduzindo o número de presos provisórios.

O Conselho Nacional de Justiça, estima que 120 mil presos em flagrante sejam libertados por ano, o que desafogará o sistema prisional.

Um preso custa ao Governo cerca de R$ 3 mil por mês, e o CNJ calcula que, com a libertação dos detidos, o poder público poderá poupar mais de R$ 4 bilhões de reais por ano.

Vejam que a preocupação maior não é com a população que ficará a mercê do bandido solto, mas apenas com o bem estar do criminoso preso em flagrante e com a economia que sua liberdade vai gerar aos cofres públicos.

É a completa distorção de valores. É como se a liberdade dos criminosos importasse mais que a segurança e a vida dos cidadãos. Como se os privilégios dos bandidos se sobrepusessem aos direitos dos inocentes. Nessas horas de extrema injustiça, eu relembro Victor Hugo: “A compaixão nem sempre é uma virtude. Pois, quem poupa a vida do lobo, condena as ovelhas à morte.”