A comparação idiota de Erdogan e os passos para esmagar a democracia turca

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 13/03/2017 08h39
Erdogan

Ele é um demagogo de língua solta, generoso para disparar insultos. Desta vez, não estou falando de Donald Trump. O assunto é Recip Erdogan, presidente turco, determinado a consolidar ainda mais o seu poder. Os mais recentes desaforos de Erdogan têm sido disparados contra a Holanda, equiparando este pais ocupado por Hitler na Segunda Guerra Mundial ao nazismo por ter impedido ministros turcos de fazerem campanha diante da numerosa colônia de imigrantes turcos no pais com vistas ao referendo no dia 16 de abril.

É neste referendo que Erdogan quer consolidar o poder da presidência turca e não vamos ter ilusões. Trata-se de mais um passo rumo a uma ditadura. Erdogan pertence à escola Putin ou Hugo Chávez. Eleições devem ser realizadas para dar legitimidade a um czar, a um caudilho ou a um sultão. Sim, eleições, mas com a oposição perseguida, a imprensa amordaçada, os direitos individuais tolhidos. Erdogan é um dos grandes campeões de um modelo político conhecido como democracia iliberal.

Ele também é garoto propaganda daqueles que consideram impossível a coexistência entre democracia e islamismo. Seus passos para esmagar a democracia turca de tradições seculares à frente de um partido islâmico seriam a prova desta impossibilidade.

É neste contexto que países como Holanda não querem campanha eleitoral turca dentro de casa. Países europeus não esquecem o que Erdogan tem feito desde o fracassado golpe militar na Turquia em julho. A repressão desenfreada e indiscriminada mostra claramente o projeto autoritário de Erdogan, um sujeito mal humorado que não tolera piada a respeito dele.

A Holanda joga pesado porque está vivendo o seu próprio momento eleitoral, marcado pelo sentimento islamofóbico do candidato de extrema-direita Geert Wilders. O argumento do governo holandês é o de que a presença de ministros turcos fazendo campanha por Erdogan apenas iria acirrar os ânimos no país.

Erdogan acirrou os ânimos de qualquer forma com esta comparação idiota entre Holanda e o nazismo. Aliás, seu insulto foi ainda mais virulento porque ele também fez a analogia em relação à Alemanha de Angela Merkel. Se é para fazer analogia, então podemos dizer que a demagogia e o atributo de escolher bodes expiatórios eram marcas registradas de um carismático dirigente alemão, como Erdogan, também conhecido por seu bigode.

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