Conflito entre Israel e Hamas é cada vez pior; veja por quê

  • Por Jovem Pan
  • 21/07/2014 10h49
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Reinaldo, por enquanto ao menos, tudo só piora no conflito entre Israel e o Hamas. É isso?

Sim, infelizmente. Cresce a pressão internacional por um cessar-fogo entre as forças israelenses e a do Hamas. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o Conselho de Segurança da ONU pediram o fim imediato das hostilidades. O domingo foi sangrento. Treze soldados israelenses de uma unidade de elite morreram numa emboscada – são 15 os militares mortos, e havia 53 feridos até a madrugada de hoje. Entre os palestinos, os mortos já seriam mais de 400. Mas atenção. Numa outra guerra, esta para ganhar a opinião pública, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não distingue as vítimas civis de seus militantes, que são também militares. Assim, todas as baixas havidas entre palestinos entram na conta de “civis mortos”.

Cessar fogo? Já afirmei aqui que o Hamas não tinha deixado a Israel outra saída que não a ação terrestre, o que o país hesitou em fazer – basta recuperar o noticiário – porque sabia que teria, como está tendo, as suas baixas. Desde a guerra do Líbano, em 2006, as forças israelenses não perdem tantos soldados num único dia. Para se ter uma ideia: em 2008, na Operação Chumbo Fundido, em Gaza, morreram 11 soldados em 22 dias. Isso indica um fato óbvio: o Hamas está aprimorando as suas táticas de guerra, melhorando o seu armamento e se tornando, a cada dia, um inimigo mais poderoso. Que caminho resta a Israel?

O Hamas recusou duas propostas de cessar-fogo: a do Egito, e a humanitária, da ONU. E repete o seu espetáculo macabro de sempre. A imprensa internacional, majoritariamente anti-Israel, e isso inclui a nossa, se satisfaz em fazer a contabilidade dos mortos para decidir quem é a vítima é quem é o algoz; quem está certo e quem está errado. E uma guerra dessa natureza, infelizmente, evolve um pouco mais do que isso.

Qual é a preço do Hamas para parar com o seu foguetório contra Israel? A sua pauta é extensa – na verdade, a sua pauta é finalista: os terroristas querem o que chamam de “Palestina” (o que inclui o território israelense) para os palestinos, eliminando da região o que chamam de “inimigo sionista”. Não sou eu quem está dizendo. É o que consta de seus estatutos.

Não, não estou aqui a defender que Israel saia atacando tudo o que se move, sem quaisquer outras considerações. E isso não está sendo feito, ou haveria mais mortos. Mas é o Hamas quem admite – como já demonstrei aqui – que recorre, sim, à tática dos escudos humanos, empilhando corpos para, com eles, fertilizar a sua causa.

Obama telefonou neste domingo para Benyamin Netaniahu, primeiro-ministro de Israel, condenou os ataques do Hamas, reconheceu o direito que tem o país de se defender, expressando a sua preocupação com o crescente número de vítimas civis e também com a morte dos soldados israelenses. É preciso que se tenha claro: para os comandantes de um dos lados da guerra, Israel, a morte dos seus é uma tragédia; para os comandantes do outro, o Hamas, uma solução.

 

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