Convenções dão pique a Trump e Hillary nas eleições americanas

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2016 10h39
Donald Trump e Hillary Clinton mantiveram suas vantagens e trocaram acusações sobre combate ao terrorismo

Estamos a menos de uma semama dos Jogos Olimpícos do Rio e eu sobrevivi a duas semanas de convenções presidenciais nos Estados Unidos. O essencial agora é a corrida de obstáculos adiante para Hillary Clinton e Donald Trump até a eleição de 8 de novembro. 

As convenções dão um pique nas pesquisas para um candidato. Trump teve o seu após a convenção republicana em Cleveland. A expectativa é de que Hillary tenha o seu no começo da semana que vem após a convenção democrata em Filadélfia. Caso não tenha, será alarmante. Acredito que terá.
As narrativas partidárias estão escancaradas. Trump pinta um quadro aterrador do país, tem uma visão pessimista e diz que só ele pode consertar as coisas. Obviamente bate na tecla que Hillary é uma trapaceira. Nos seus comícios, a palavra de ordem é Hillary na prisão.
Os democratas revidam com um discurso no qual se apossam de tradicionais palavras de ordem dos republicanos em torno de otimismo e patriotismo. Revidam que Trump é o pesadelo americano e não o sonho. 
Batem na tecla que Trump é um demagogo perigoso, até insano, sem qualificação para cuidar do arsenal nuclelar americano. Como disse Hillary na convenção, Trump é atiçado por uma provocação no Twitter, como pode cuidar dos códigos nucleares?

E eu vou rebater em algumas teclas de boletins anteriores. Hillary é complicada. Sabemos do seu flanco escancarado: quase 70% dos americanos não acreditam que ela seja honesta e de confiança, em uma percepção que mistura as mentiras na sua atuação pública com as mentiras disseminadas por seus inimigos. 

Repito o que escreveu Bret Stephens, um conservador da pesada, colunista do Wall Street Journal. Hillary mente. Trump é pós-moderno, alheio ao conceito de verdade.

Com Trump no cenário, as coisas ficam menos complicadas para mim. E raramente sou tão direto para expor minhas preferências eleitorais. Como diz o presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, para justificar seu tépido endosso ao nome do partido, a escolha é binária: Trump ou Hillary.

Ele tem toda razão. Trump é o pior candidato possível, uma ameaça à democracia com seu pendor totalitário (“só eu posso consertar”) e um perigo para a civilização ocidental com suas propostas estapafúrdias, incoerência, despreparo, ideias ignorantes que dividem a aliança transatlântica (EUA e Europa) e flerte com Vladimir Putin. Hillary é complicada, mas é qualificada para o cargo e a realidade é o que é.

Sou avesso a comparações de realidades internacionais com o Brasil, mas vou simplificar. Situações extraordinárias exigem simplificações extraordinárias. Hoje no Brasil existe uma escolha binária: Dilma ou Temer. O interino é dose, mas Dilma é overdose, é veneno. Temer até 2018.

Nos EUA, Trump é o veneno. Hillary no mínimo por quatro anos. Suas venalidades estão no terreno da normalidade. Trump é além da imaginação.