Coreia do Norte, a urgência crônica de uma crise

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2017 12h45 - Atualizado em 29/06/2017 00h59
Kim Jong-Un em desfile do dia do Sol - EFE

Na campanha eleitoral, Donald Trump foi duro com a China, acusando a superpotência emergente de ser uma grande ameaça com protecionismo comercial, manipulação cambial e ambições geopolíticas. Após tomar posse e um encontro no seu resort na Flórida, o presidente americano amoleceu e começou a tratar o ditador Xi Jinping como amigo do peito.

O motivo essencial? A aposta de Trump de que poderia contar com Xi Jinping para enquadrar a barata atômica norte-coreana Kim Jong-un, Esta semana, o presidente americano expressou sua decepção com os chineses, sinalizando, ou melhor dizendo, tuitando que fracassou a aposta de um ativo papel de Pequim para colocar a Coreia do Norte no seu devido lugar.

É um cálculo arriscado para os chineses confrontarem a barata atômica. Eles estão horrorizados com suas estrepolias e ameaças, mas temem a implosão do país. Quem sabe, Xi Jinping fique realmente horrorizado com as ambições de Kim Jong-un quando seu regime for bem sucedido com um teste balístico intercontinental ou realizar um novo teste com bomba nuclear, o sexto.

O fato é que Kim Jong-un segue realizando testes com a comunidade internacional. Não sabemos exatamente até onde ele está disposto a ir, assim como os principais atores internacionais, a destacar obviamente os EUA, pois a urgência do desafio norte-coreano se torna cada vez mais….urgente.

Muita gente prefere tratar o tirano atômico como uma espécie de Pokémon ou um vilão de história de quadrinhos. Existe até a ideia de que seu arsenal exibido em paradas militares seja como uma alegoria de carnaval. Loucura tomar este caminho blasé. O fato concreto é que os norte-coreanos são capazes de pulverizar Seul, a capital da Coreia do Sul, com artilharia convencional.

Na transição de poder, Barack Obama alertou Donald Trump que seu desafio geopolítico mais ingrato seria a Coreia do Norte. Este pepino nuclear agora está nas mãos deste aprendiz de presidente. E agora ele telegrafa (ok, tuíta), que pode recorrer a ações unilaterais para resolver o problema. E com Trump, as soluções podem ser piores do que os problemas.

O clichê sempre vale para a Coreia do Norte. Trata-se de uma crise sem soluções atraentes.