Crise com o PMDB não deve acirrar nesse primeiro momento

  • Por Jovem Pan
  • 10/03/2014 12h23

Reinaldo, Dilma se encontrou com o vice-presidente Michel Temer do PMDB e parece que resolveu endurecer com o partido. Será que a crise vai se acirrar? Sairá rompimento?

Nem vai se acirrar nem vai se resolver, vai ficar mais ou menos como está. Uma coisa é certa, rompimento não haverá, com aqui eu já disse tantas vezes. A presidente decidiu neste domingo ter uma conversa à portas fechadas, mas só com Michel Temer, e mandou desconvidar os demais interlocutores previstos. Os presidentes do Senado, da Câmara e do partido. Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e Valdir Raup respectivamente. Falará com eles só hoje em conversas individualizadas.

O PMDB tem dois ministérios a cargo de senadores, o das Minas e Energias, com Édson Lobão, e o da Previdência, com Garibaldi Alves. Dois outros estão ocupados por deputados, o do Turismo, com Gastão Vieira, e o da Agricultura com Antônio de Andrade. Moreira Franco, da Aviação Civil, é da cota pessoal de Temer, mas também é visto como próximo à bancada da Câmara.

O que querem os descontentes? Mais um ministério para um senador, no caso Vital do Rego, que gostariam de ver na Integração Nacional. Dilma aceita Vital, mas o quer no Turismo, que já está com o PMDB e justamente com a ala do partido mais próxima de Eduardo Cunha, o líder da Câmara e porta-voz dos descontentes.

A reforma ministerial é um dos pilares da crise. A presidente chegou a pensar no nome do senador Eunício Oliveira, do Ceará, com quem também falará hoje para a Integração. Mas ele quer concorrer ao Governo do Estado, ocorre que lá Dilma está comprometida para a tentativa de reeleição de Cid Gomes e quer impedir que Eunício concorra, o que também irrita muitos pmdebistas.

Uma bagunça. Antônio Andrade deixará a Agricultura, e a nomeação do substituto pode abrir nova guerra com a bancada do PMDB na Câmara. Na conversa com Temer, Dilma teria dito que se preciso nomeará ministros sem o aval do partido e joga claramente para isolar Eduardo Cunha.

O Planalto lançou uma verdadeira operação de demonização do deputado, inclusive na imprensa. Ele é tratado como a síntese de todos os males da política. Fisiológico, truculento, chantagista, etc. Sempre que o PT precisa que a imprensa bata em algum adversário, ou em algum aliado incômodo, sabe como fazer para que isso aconteça.

Bem, eu nunca chamei Cunha de exemplo a ser seguido, mas pergunto: ele é pior para a política brasileira do que a família Sarney? É pior do que Jader Barbalho? É pior do que Paulo Maluf? Apenas para citar alguns dos aliados do PT.

Eu não quero que você se conforme com essas comparações não. O que eu estou afirmando aqui é que seria ridículo um partido que protagonizou um escândalo das dimensões do mensalão, com a conta desavergonhada de partidos e de políticos, vir a público atacar Eduardo Cunha como símbolo da falta de ética na política.

E o PT, é exemplo de moralidade? E esses outros aliados? A verdade é bem outra, o PT não está nem aí com a qualidade dos seus aliados. A única coisa que exige para que sejam tratados como monumentos da moralidade é que sejam fiéis e obedientes. Os petistas sabem muito bem que vive por aí a dizer cobras e lagartos do PMDB, como se o seu próprio partido fosse a morada dos deuses da ética. E como a gente sabe, não é.