Crítica a Bolsonaro gera avalanche de insultos nas redes sociais

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 11/05/2016 13h01
O deputado Jair Bolsonaro durante sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que instaurou nesta terça-feira (16) processo por quebra de decoro contra o deputado Foto: Wilson Dias/Agência BrasilJair Bolsonaro - AGBR

As redes sociais são uma caixinha de surpresas e uma caixona de insultos. Por ossos do ofício, eu me tornei um tuiteiro contumaz. Eu tuitei sobre a reportagem do New York Times com o perfil do deputado Jair Bolsonaro. Falei sobre ela no meu boletim de segunda-feira no Jornal da Manhã, fazendo elogios por apresentar um perfil equilibrado de um controvertido político, tratado pelo jornal como uma estrela em ascensão do movimento conservador no Brasil.

Não sou ingênuo e sabia que estava comprando briga com as hostes de Bolsonaro nas redes sociais. Fui simplesmente fuzilado por seus seguidores. Eu e o New York Times, chamado de jornal infame e comunista, para ficar entre alguns dos atributos despejados.

Na interpretação dos seguidores de Bolsonaro, eu e o New York Times não sabemos interpretar o fenômeno. O deputado é um salvador da pátria e suas declarações são distorcidas. O que exatamente foi distorcido? Que ele enalteceu torturadores? Que o político que mais admira é o ditador Médici? Que ele habita um universo extremista na companhia de outro deputado controvertido, Jean Wyllys?

Um padrão comum nas críticas e insultos era: Caio, você, então prefere, uma ditadura comunista? Prefere o lulopetismo no poder? Tudo no raciocínio destas hostes do Bolsonaro é binário. Somos nós ou eles, o dilúvio. Para estas hostes, solução deve ser ao estilo do ditador Figueiredo, do prende e arrebenta, ou arrebenta e prende.

A reportagem do New York Times e meu tuíte fizeram as inevitáveis analogias entre Bolsonaro e Trump. Aí, as hostes do deputado se dividiram. Alguns gostaram, outros não. Não vou quebrar a cabeça para tentar entender esta dicotomia.

Faço questão de terminar o boletim com a seguinte observação. Muitos tuítes de adeptos do culto Bolsonaro questionavam como eu, judeu, não apoio o deputado. Afinal, ele é firme defensor de Israel. E daí? Eu também, assim como Hillary Clinton.