Dilma na Suécia: “Levy fica!”. Dilma em congresso da CUT: ouve “Fora, Levy” e se cala

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 19/10/2015 11h28
Dilma no congresso da CUT x Dilma na Suécia

Confesso que já passou o tempo em que Dilma Rousseff despertava a minha irritação. Agora, ela só me provoca preguiça intelectual — a mim e ao resto do país, o que é, claro!, um motivo a mais para deixar o cargo. Ela chegou àquela fase em que já não sabe o que faz e diz.

Neste domingo, em Estocolmo, na Suécia, na entrevista que concedeu, tratou da possibilidade de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixar a pasta como especulação da imprensa; como se ele não tivesse, de fato, pensado em sair, já que está sendo alvo de ações desestabilizadoras comandadas pelo PT, tendo ninguém menos do que Lula à frente.

Não só. Em entrevista à Folha deste domingo, Rui Falcão, presidente do partido, pregou a saída de Levy, a menos, disse que ele mude a política econômica. Falcão quer de volta o padrão Guido Mantega, aquele que quebrou o país. Instada a comentar as pressões pela saída do ministro, leiam o que disse Dilma a jornalistas:
“Eu acho que o presidente do PT pode ter a opinião que quiser, mas não é a opinião do governo. A gente respeita a opinião do presidente do PT, mas isso não significa que seja a opinião do governo (…). Se eu lhe disse que não é opinião do governo [a de Rui Falcão], o ministro Levy fica. (…) Se ele fica, é porque concordamos com a política econômica dele”.

Indagada sobre a conversa que teve com Levy na sexta, depois de o ministro ter, sim, ameaçado sair, ela afirmou, informa a Folha:
“Vou falar uma coisa para vocês: há um nível de invenção de conversas que não é verdade. É absurdo dizer que nós tratamos disso na reunião. O que nós conversamos foi fundamentalmente sobre quais são os próximos passos e qual é a nossa estratégia no sentido de garantir que se aprovem as principais medidas que vão levar ao equilíbrio fiscal. Nem tocou nesse assunto [saída], não tinha nenhuma insatisfação dele, até porque essa entrevista [Rui Falcão] não tinha ocorrido, não sei como saem essas informações, e que são danosas, porque de repente aparece uma informação que não é verdadeira”.

Dilma negou ainda que Lula lhe tenha pedido a cabeça de Levy.

Então vamos ver. O chefão do PT vive, sim, cobrando a demissão do ministro, em público e em privado. E ela tratou dessa possibilidade com o titular da Fazenda na sexta. Logo, a imprensa, nesse caso, cumpre o seu papel ao informar.

De resto, na terça-feira, dia 13, Dilma compareceu ao congresso da CUT. Discursou e vituperou contra a oposição. Antes, durante e depois do seu discurso, a plateia de sindicalistas gritou “Fora, Levy”, e a presidente sabia que era esse um dos itens da pauta da “companheirada”. Ouviu a gritaria e ficou calada, preferindo vociferar contra golpistas inexistentes.

Quando Lula discursou, ela já tinha saído, mas o Babalorixá de Banânia não teve dúvida: esconjurou o ministro da Fazenda e sua política econômica, e, mais uma vez, a plateia gritou “Fora, Levy”.

Em março deste ano e, um pouco depois, em maio, escrevi aqui que Lula e o PT eram as forças de desestabilização de Dilma. Eram e são. Mantenho a leitura. Mas, hoje, como se nota, é Dilma quem mais sabota Dilma.

Uma presidente da República comparecer ao congresso de uma central sindical que tem como pauta guilhotinar seu ministro da Fazenda é, para dizer pouco, um ato irresponsável.

A imprensa, nesse caso, noticia o que sabe e não concorre para derrubar Levy. Quem compareceu a um ato de sabotagem contra o ministro da Fazenda foi a sua chefe!

Dilma deveria ter declarado no congresso da CUT, no dia 13, que Levy fica, em vez de oferecer essa garantia em Estocolmo, na Suécia. Que sentido faz reforçar o ministro em solo estrangeiro e contribuir com a sabotagem contra seu próprio auxiliar em solo nativo?

Dilma perdeu o eixo faz tempo.

Por Reinaldo Azevedo