A ditadura negável é um fenômeno especialmente perigoso

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 10/02/2017 08h12

Nicolás Maduro discursa em protesto a favor de seu governo em Caracas

Nicolás Maduro discursa em protesto a favor de seu governo em Caracas - EFE

O populismo pipoca no mundo, Vamos falar das lições chavistas aos populistas de norte a sul, de leste a oeste.

A Venezuela é um bom exemplo da distância percorrida por líderes populists para minar a democracia. E hoje com Nicolás Maduro, o país está em um estágio avançado de destruição institucional. Tudo, é claro, começou h á 18 anos com o paraquedista esquerdista Hugo Chávez. O chavismo destruiu a separação de poderes, tudo em nome da ajuda aos pobres.

A grande inovação do populismo chavista foi a habilidade para se aferrar ao poder sem ser rotulado de autocracia, pelo menos por parte de sua história. A meta chavista era a negação plausível de que era uma ditadura, algo semelhante ao empreendido na Rússia de Vladimir Putin

O chavismo criou a ilusão de democracia, com as instituições algumas vezes se alinhando com os oponentes do regime. Em meio ao colapso econômico e moral da Venezuela, a ditadura negável prospera, pois as pessoas subestimam o chavismo. 

Alguns ainda vacilam em qualificar a Venezuela de ditadura, pois são realizadas eleições no país, embora o regime use dinheiro, intimidação e um estado aparelhado para prevalecer.

Os venezuelanos toleram esta ditadura negável porque o chavismo manipula a esperança. Ademais, a Venezuela não é uma ditadura escancarada como Cuba ou Coreia do Norte. Neste contexto, existe uma mediação internacional, na qual o papa Francisco está engajado, para resolver a crise nacional.  O “processo” de conversações serve para o regime ganhar tempo na esperança de que haja uma reversão espetacular nos preços do petróleo e assim possa novamente comprar votos para ganhar as eleições.

A ditadura negável é um fenômeno especialmente perigoso. Os lances mais recentes do regime para impedir o referendo revogatório de Nicolás Maduro e adiar eleições para governador são apenas o começo. A Venezuela é uma inegável ditadura que faz piada da tolerância internacional.