A dolce vita européia irá conviver com imagens de tragédia

  • Por Caio Blinder
  • 31/05/2016 10h26
Imigrantes salvos nesta semana pela marinha italiana no Mediterrâneo

O verão está chegando no mar Mediterrâneo. Para muita gente, claro, será a oportunidade de veraneio. Mas a dolce vita irá conviver com imagens de tragédia, da catástrofe dos refugiados que fogem das guerras civis, da barbárie e da fome no Oriente Médio, África do Norte e de lugares mais distantes da Europa. Na semana passada, já tivemos um ensaio do horror que vem pela frente, com o naufrágio de três embarcações precárias nas costas da Líbia. 700 mortos e a escalada de mortes acontecendo, justamente, no verão, quando é mais fácil arriscar a travessia.

Na última segunda-feira (30), circulou pelo mundo a foto de um bebê que se afogou e está nos braços de uma pessoa de uma equipe alemã de resgate. Esta organização huminatária distribuiu a foto comovente e chocante justamente para persuadir líderes europeus a darem passagem livre de migrantes, depois que centenas perderam a vida na semana passada. O bebê foi resgatado do mar, na última sexta-feira (27), após o naufrágio do barco de madeira no qual se encontrava. Havia 45 corpos em um navio da Marinha italiana, que conseguiu resgatar 135 sobreviventes do mesmo incidente.

Este grupo alemão navega com uma equipe de produção de imagens a bordo e, sem dúvida, a propaganda deve estar também na alma do negócio humanitário. No entanto, está difícil. Vemos o que acontece na Europa e Estados Unidos com a hostilidade contra imigrantes e refugiados. A maré está para partidos populistas na Europa e a mensagem de Donald Trump é um tremendo sucesso na campanha eleitoral norte-americana.

No trocadilho infame, já vimos esta foto do bebê. Uma das imagens icônicas de 2016 foi a do garotinho sírio Aylan, de três anos, que morreu afogado quando empreendia a jornada. Ele foi encontrado morto em uma praia turca. Estas imagens realmente colocam uma face humana e individual nas mais de oito mil pessoas que morreram no Mediterrâneo desde o começo de 2014.

O fato é que fotos icônicas de refugiados que não terminam a jornada deixaram de comover a opinião pública. O refugiado é, basicamente, o indesejável, o perigoso, o terrorista, o estuprador, o fardo. Sequer comove este bebê sendo carregado? Sei que cada país tem suas tragédias e seus dilemas e o Brasil está imerso em tantas. Porém, creio ser fundamental nestes meus minutos na Jovem Pan compartilhar o que acontece no mar, lá fora.