Dunga na Seleção também envolve política; entenda

  • Por Jovem Pan
  • 21/07/2014 10h33
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Reinaldo, quer dizer que Dunga, o futuro técnico da Seleção Brasileira, também é política?

Claro que é, tudo é política, até Aristóteles é política. Olá, internautas e amigos da Jovem Pan.

Está mesmo confirmado o furo dado pelo grande Wanderley Nogueira aqui nesta rádio: Dunga é o novo velho comandante da seleção brasileira a ser anunciado amanhã. Deixo a questão técnica para Wanderley e outros especialistas da casa. A minha abordagem fala de futebol sim, mas é de outra natureza.

É o que eu chamaria do triunfo do caipirismo existencial. Caipira eu também sou, ouvintes, o caipirismo existencial é outra coisa. É a mentalidade estreita pela própria natureza. Lá em Dois Córregos a gente está acostumado a larguezas. O que quer a CBF, um bedel? Então já encontrou. Dunga já recebeu prêmio por ser capitão do tetra, tornou-se técnico da seleção em 2006. Vamos ver.

Felipão e Parreira foram campeões do mundo e levaram a seleção ao pior resultado de sua história. Dunga conquistou um título como jogador e se despediu da Copa nas quartas de final, derrotado pela Holanda por 2×1. Porque essas informações? Eu quero saber qual é o compromisso do técnico com o futuro, não com o passado. Por que Dunga agora? A farsa se repete como farsa.

Parreira se sagra Campeão do Mundo em 1994 – era o tetra, com Dunga como capitão. Em 1998, há o desastre contra a França, com Zagallo no comando. Vocês se lembram do famoso episódio, nunca suficientemente explicado, do mal-estar de Ronaldo.

Aí temos dois anos de desacertos, maluquices e escolhas bisonhas. Até que o comando fosse passado a Felipão, esquentaram o banco Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Leão. Em 2002, o Brasil conquista o penta. Em 2006, Parreira assume a Seleção, com o auxílio de Zagallo. Ficou a impressão de que o técnico não tinha controle da equipe, que seria gerida, digamos, por uma turma que gostava mais de farra do que de disciplina, com destaque para Adriano e Ronaldinho.

Então alguém teve a ideia: a Seleção precisa de um choque de ordem. E veio Dunga, com o resultado conhecido. Com a mediocridade também conhecida. De modo impressionante, tem-se a mesma conversa: teria faltado disciplina à Seleção de Felipão: muito jogador com cabelo tingido, com a perna raspada, com a cueca de fora.

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante mau humorado, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal prêmio?

Espero que a convivência de Dilma e Dunga na área super-VIP do Maracanã, na final entre Alemanha e Argentina, não tenha definido a escolha. Ali, os dois conversaram de pertinho. Ele até teria cochichado ao pé do ouvido presidencial:

– Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar. Dilma então respondeu:

– Essa foi boa! Eu também, Dunga! Mas não dá! Um vai ter de vencer.

Dilma riu tanto com o gracejo que foi às lágrimas. Tem gente que ri de cada coisa, não é mesmo? Mas ainda faltava a piada final, agora nós já temos.

 

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