É natural Aécio Neves tratar do escândalo da Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 20/03/2014 11h30

Reinaldo, o tucano Aécio Neves cobrou explicações da presidente Dilma no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. Isso é só espuma eleitoral ou se está mesmo à frente de um escândalo?

É um escândalo mesmo e dos grandes. Olá internautas e amigos da Jovem Pan.

O fato de o senador, pré-candidato do PSDB à presidência, tratar do assunto é natural. O caso também é político. Sintetizo o escândalo: em 2006 a Petrobras comprou de uma empresa belga chamada Astra 50% de uma refinaria que fica em Pasadena, no Texas, Estados Unidos. Pagou 360 milhões de dólares. Até tudo bem, poderia valer isso tudo ou até mais.

Ocorre que a Astra havia pagado pela refinaria inteira, menos de um ano antes, apenas 42,5 milhões de dólares. Ou seja, a Petrobras pagou 360 milhões por aquilo que valia 21,25 milhões, tudo em dólares. Um ágil de 1.590%.

Como num quadro daquele programa de humor bem antigo que eu me lembro de quando eu era moleque, Praça da Alegria, os belgas disseram: “brasileiro é tão bonzinho”. O diabo é que a turma da Petrobras foi boazinha sim, mas com o nosso dinheiro, como sempre.

Há mais. Cláusulas contratuais obrigavam a Petrobras a adquirir a metade que pertenceu aos belgas caso a sociedade não desse certo. E não é que deu tudo errado? O assunto foi parar na Justiça e a empresa brasileira teve de comprar dos belgas os outros 50% por, atenção, 820,5 milhões de dólares. Desembolso total da Petrobras: 1,18 bilhão de dólares. Sim, eu disse “bilhão”. A refinaria é uma sucata que não serve para refinar o petróleo brasileiro.

E Dilma com isso? Ela disse que não sabia da cláusula que obrigava a Petrobras a comprar os outros 50% dos belgas. Executivos da empresa, no entanto, desmentem. Ainda que fosse verdade, o que está claro agora é que ela sabia sim da compra daquela primeira metade em 2006. Sabia e aprovou, era chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Dilma achou normal pagar 360 milhões por aquilo que valia, um ano antes, 21,25 milhões. Tudo em dólares.

Em seu pronunciamento no Senado, Aécio criticou o que chamou de “terceirização de responsabilidades”. É isso mesmo, não dá para a presidente vir agora a público, como fez, afirmar que ignorava as condições do contrato. De resto cabe uma pergunta: quando ela tomou ciência então da lambança inteira fez o que? Nada.

Pior, o homem que negociou em nome dos belgas era um velho conhecido da Petrobras: Alberto Feilhadaf, que havia trabalhado na empresa por longos vinte anos e se transferiu depois para a iniciativa privada. Adivinhe para onde. Acertou que chutou a Astra, a empresa belga.

Pela Petrobras, preparou o papelório o senhor Nestor Serveró, que era diretor da área internacional da Petrobras. Na gestão Dilma virou gestor financeiro da BR Distribuidora. O caso agora está sendo apurado pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, negou a necessidade de uma investigação do Congresso. Dilma fica feliz quando o PMDB se comporta como aliado. Fica devendo mais esse favorzinho ao partido. Renan está errado, claro. Se fosse assim, casos apurados pelo MP ou pela PF jamais renderiam CPIs.

Se esse não mereceu uma Comissão Parlamentar de Inquérito, qual merece? Se o Congresso se omite diante de um escândalo dessa magnitude, quando é que vai provar altivez? O grupo de Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, emitiu sinais de que pode apoiar o pedido de CPI. Como a gente percebe, a difícil situação em que se encontra a Petrobras não é obra do caso nem do improviso, as dificuldades foram meticulosamente construídas.

Não há hipótese virtuosa para o que aconteceu. A saída moral da presidente é dizer: “fui incompetente”. Até porque, se não foi um caso de incompetência, foi coisa muito pior.