Elogiado pela isenção, Lewandowski terá “cola” de Renan ao guiar impeachment

  • Por Jovem Pan
  • 25/08/2016 09h05
Brasília - O relator Antonio Anastasia e o presidente da Comissão do Impeachment, Raimundo Lira, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, chegam para reunião com líderes (Antonio Cruz/Agência Brasil)Ricardo Lewandowski e Renan Calheiros - ABR

Michel Temer se reuniu com Renan Calheiros. O presidente interino garante que não está preocupado, mas segue checando todas as “engrenagens” do impeachment.

O presidente do Senado garantiu que dará tempo de votar tudo até terça-feira (30), quando Temer viaja para a China e disse que, se preciso, os trabalhos adentrarão madrugadas adentro de sábado (27), com a fase de oitiva das testemunhas, e também da terça, com a votação após a defesa pessoal de Dilma.

Renan Calheiros não vai conduzir o rito, mas auxilia o presidente do STF Ricardo Lewandowski ao lado da mesa no Senado. Os petistas prometem levantar muitas questões de ordem para atrasar o processo, mas Lewandowski deve rejeitar todas, com o auxílio de toda assessoria técnica da Casa, que ficou à disposição, e de “cola” do próprio Renan.

Senadores opositores a Dilma têm elogiado a isenção e correção com a qual Lewandowski, que tem uma ligação histórica e familiar com o Partido dos Trabalhadores, tem conduzido o processo de impeachment.

Começa

O julgamento do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT) começa nesta quinta-feira (25) com o depoimento de testemunhas. A petista é acusada de ter atrasado conscientemente repasses do Tesouro a bancos estatais, configurando empréstimos proibidos pela lei de responsabilidade (as chamadas “pedaladas”), além de editar decretos de uso do Orçamento sem a aprovação prevista do Congresso. O objetivo seria “maquiar” as contas públicas e esconder o rombo fiscal.

Dilma deve ser definitivamente afastada do cargo até a manhã de quarta-feira da semana que vem (31), segundo as expectativas do governo interino de Michel Temer. Os petistas aliados, há 13 anos do poder, tentam porém postergar ao máximo a provável destituição, utilizando todo o tempo de perguntas e inquirição às testemunhas e à própria Dilma Rousseff, que deporá pessoalmente no Senado no dia 29, segunda-feira que vem.

Calendário

25/08, às 9h: oitiva de oito testemunhas (2 de acusação e 6 de defesa)

– Etapa não pode ser interrompida

– Sessão pode ter mais de 67 horas 

– 81 senadores. Cada um tem 6 minutos para interagir com cada testemunha

– Advogados de acusação e defesa terão dez minutos.

– Pausas: Entre 13h e 14h + 18h e 19h

– Novas pausas de 30 minutos a cada 4h (ou o que Lewandowski quiser)

29/08, às 9h: Dilma se defende presencialmente

– Tem 30 minutos de fala (tempo pode ser prorrogado)

– 81 senadores podem perguntar para Dilma – Terão 5 minutos cada.

– Advogados de defesa e acusação terão 5 minutos cada.

– Sessão pode ter mais de 7h

 

29/08 ou 30/08, após defesa de Dilma: Discussão do mérito da denúncia

– Acusação X Defesa

– Cada parte tem 90 minutos, com possibilidade de réplica e tréplica de até 60 minutos.

– Por ordem de lista de inscrição, senadores terão 10 minutos cada para uso da tribuna.

 

30/08 ou 31/08, votação.

– Horário depende do andamento da fase anterior.

– Lewandowski lê relatório com resumo de provas e fundamentos de acusação e defesa.

– 4 senadores fazem encaminhamento da votação. Sendo 2 contra e 2 a favor do libelo acusatório. Cada um tem 5 minutos.

– Votação nominal em painel eletrônico.

 

*Todas as sessões poderão ser suspensas para às 9h do dia seguinte caso Lewandowski queira.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.