Em jogo de mentiras, Trump e Hillary são recordistas em imagens negativas

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 04/11/2016 07h50
CDA080. LAS VEGAS (EE.UU.), 19/10/2016.- La candidata Demócrata Hillary Clinton (d) sale luego del debate con el Republicano Donald Trump (i) hoy, miércoles 19 de octubre de 2016, en la Universidad de Nevada en Las Vegas (EE.UU.). EFE/GARY HE EFE/GARY HE Hillary Clinton e Donald Trump durante segundo debate eleitoral nos EUA - EFE

A eleição americana acontece em 8 de novembro e, como qualquer outra eleição no mundo, deveria acontecer em 1 de abril. Mas a verdade é que este ciclo eleitoral passa da conta em termos de mentiras, propaganda enganosa e falsas promessas dos candidatos. Donald Trump e Hillary Clinton são recordistas de imagem negativa entre candidatos que já concorreram à presidência dos EUA.

Uma das proezas de Trump, um vigarista por excelência, foi tornar ainda mais negativa a imagem de Hillary na reta final. O dado impressionante está na pesquisas divulgada esta semana pela rede de televisão ABC e jornal The Washington Post. Por uma margem de 8 pontos, os eleitores acreditam que Trump seja mais honesto e de mais confiança do que Hillary.

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O resultado faz todo sentido nesta era pós-fato. Trump é o pinóquio-mór, mas é daí? Na checagem de fatos do Washington Post, das 91 declarações examinadas, 63% foram consideradas falsas (assim ele foi premiado com 4 Pinóquios). E Hillary? 4 Pinóquios por 14.2% de suas alegações.

Experiente homem de entretenimento e demagogo de primeira classe, Trump sabe que percepção é o que conta, vale o que as pessoas acreditam serem fatos. E numa época de tanto cinismo popular, convencer o eleitorado que o adversário é mais desonesto é parte do caminho andado.

Chris Cillizza, do Washington Post, explica como funciona o jogo de percepções neste ciclo eleitoral. Trump é visto como alguém que fala as coisas como elas são, é barulhento, truculento e ofensivo. Hillary é reservada e calculista, ao ponto de ser paranoica.

Como se diz em inglês, Hillary carrega muita bagagem, capaz de lotar um Boeing. Sempre se soube que seu ponto fraco era o prontuário do casal Clinton. Para mim, as negociatas da Fundação Clinton e seu conflito de interesses (mistura de público e privado) são um pecado político devastador e estamos vendo o efeito agora, tudo vitaminado por Trump, que habilmente tacou a alcunha de Hillary como a trapaceira.

Estoicamente, a revista The Economist acaba de endossar Hillary Clinton (algo facilitado pela presença no cenário de Trump), argumentando que a candidata democrata é melhor do que parece. No entanto, é este jogo de percepções. As aparências de Hillary na verdade não enganam, mas Trump consegue piorá-las.