Enquanto isso na Suécia…

  • Por Caio Blinder
  • 16/09/2014 19h43

O Partido Social-Democrata volta ao poder depois de oito anos, encerrando sua mais longa estadia na oposição em um século. No entanto, esta não é uma manchete sensacional. A mais quente é o espetacular avanço da extrema-direita, com raízes no neonazismo e seus componentes islamofóbicos e racistas. O partido Democratas Suecos arrebatou o coração de 1 em 8 suecos no país lendário pela generosidade e tolerância.

A mensagem contra os imigrantes e os custos que sua absorção acarretam ao sistema de bem-estar social conferiram o terceiro lugar ao partido extremista. Ele dobrou sua votação para 13%, roubando votos do Partido Moderado, o principal de centro-direita, que dominava a coalizão de governo.

Fredrik Reinfeldt soube conduzir a Suécia em meio às tempestades da crise econômica europeia, enxugou programas sociais e privatizou serviços públicos. No entanto, ele se negou a alterar a generosa política de acolher imigrantes e refugiados.

Ao contrários de outros partidos do establishment conservador na Europa, a centro-direita sueca não embarcou em projetos para fixar cotas de imigração.

É sintomático que o carismático lider da extrema-direitas seja o jovem Jimmie Akesson, de 35 anos, com seu discurso contra imigrantes. Um discurso contra a velha Suécia que cativou especialmente jovens, entre os quais a taxa de desemprego está três vezes acima da média nacional.

O social-democrata Stefan Lofven, com raízes no movimento sindical, irá suar agora para forjar uma coalizão de governo, pois os partidos de centro-esquerda não conseguiram maioria absoluta nas eleições. Lofven poderá negociar com algum partido de centro-direita ou com os verdes.

Como acontece com outros partidos conservadores civilizados, como o Moderado na Suécia, agora se desloquem para posições menos “moderadas” para recuperar o eleitorado perdido para os extremistas.