Está em marcha a mãe de todas as batalhas contra o EI no Iraque

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 18/10/2016 09h29
EBAG03 MOSUL (IRAK), 10/10/2016.- Combatientes kurdo-iraquíes de las fuerzas militares de Peshmerga de la ciudad de Basheqa se ponen en posición en la zona fronteriza de la guerra entre el grupo yihadista Estado Islámico (EI) y del Kurdistán iraquí, a 150 kilómetros de Erbil, Irak, hoy 10 de octubre de 2016. El EI pretende aislar del mundo a los habitantes de Mosul, en el norte de Irak, con el corte de todas las comunicaciones, ante la inminente ofensiva de las fuerzas gubernamentales para liberar la ciudad. EFE/Ahmed JalilCombatentes curdo-iraquianos das forças militares de Peshmerga na zona fronteiriã com o Estado Islâmico em Mosul

Batalhas no Oriente Médio têm este componente edipiano. E finalmente, o que sobrou de governo iraquiano pariu a ofensiva contra os jihadistas ensandecidos do Estado Islâmico. Está em marcha a mãe de todas as batalhas para a retomada de Mosul, a segundo maior cidade do país, ocupada pelo Estado Islâmico há pouco mais de dois anos, quando em uma cena humilhante os soldados iraquianos treinados pelos americanos largaram suas armas entregues pelos americanos e fugiram dos terroristas.

E novamente, existe o apoio americano e europeu (Grã-Bretanha e França) com suporte aéreo e forças especiais em terra para ajudar o primeiro-ministro Haider al-Abadi a derrotar o Estado Islâmico. As trombetas da batalha, porém, devem soar por um bom tempo, meses ou quem sabe por uma duração ainda mais longa.

São mais de 80 mil soldados do Exército iraquiano, pelo menos sete milícias xiitas apoiadas pelo Irã, contingentes de tribos sunitas e os combatentes curdos que cercam a cidade de várias direções. As estimativas são de 4 mil a 8 mil jihadistas em Mosul, que como é praxe utilizam civis como escudos humanos contra bombardeios aéreos. E como é praxe na guerra sem fim no Siraque (Síria + Iraque), a batalha deve gerar ainda mais refugiados. A estimativa é de que mais de 1 milhão de pessoas estejam em Mosul.

Esta mãe de todas as batalhas em Mosul é a operação militar de maior envergadura no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003, que culminou no fim do regime de Saddam Hussein e cedeu lugar a uma fase ainda mais caótica na região. A velha ordem foi destronada em algumas partes e um cenário apocalíptico parcialmente emergiu.

Não há dúvida que a perda de Mosul será um golpe devastador para o Estado Islâmico, que também está sofrendo derrotas no que sobrou de Síria. Os dois países amargam um processo de desmembramento enquanto os Estado Islâmico decapita suas vítimas.

Após a mãe de todas as batalhas em Mosul, teremos novas mutações neste inferno que é o Siraque, com interesses díspares e conflitantes envolvendo atores internacionais e locais. Eu, pessoalmente, não vejo condições de Síria e Iraque voltarem a se constituírem como plenos países.