Rachel Sheherazade: está na nova equipe econômica a esperança de reconquistar a credibilidade do país

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2015 10h13

Equilíbrio fiscal. Esse foi o tom do discurso de posse do novo ministro da Fazenda, que substitui o desaventurado Guido Mantega. Para o conservador, Joaquim Levy, o “ministro da esperança”, o equilíbrio fiscal já começou com a adequação dos empréstimos do BNDES e com o corte de benefícios trabalhistas e previdenciários.

Levy acenou com a possibilidade – quase inevitável – de ajustes em alguns tributos. Em bom português: aumento de impostos. O remédio é amargo, mas necessário para curar as mazelas econômicas, fruto do primeiro e desastrado mandato de Dilma Rousseff.

As medidas poderão, a médio ou longo prazo, recolocar a economia de volta aos trilhos, recuperar a indústria, conter o desemprego e inaugurar, no Brasil, um novo ciclo de crescimento.

Mas, o mercado está apreensivo sobre as medidas econômicas anunciadas por Dilma, e cético sobre a suposta autonomia que ela garantiu dar a sua equipe econômica. Há quem aposte que os ministros Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento, durarão pouco no novo governo.

Isso porque Dilma tem demonstrado os antigos comportamentos autoritários e centralizadores que sempre lhe foram peculiares. Sábado, a presidente deu uma bronca em Nelson Barbosa e o obrigou a se retratar sobre um pronunciamento em que o ministro anunciava medidas para o reajuste do salário mínimo.

Bola fora, Dilma! O pito pegou muito mal para uma presidente que anunciava, aos quatro ventos, querer fazer um governo novo, com mais autonomia a seus ministros e técnicos.

Nesse lamentável episódio, a velha Dilma entrou em ação, colocando novamente em xeque a credibilidade do governo.

Ontem, novas más notícias vieram à tona. A balança comercial entrou em desequilíbrio. Importamos mais que exportamos, e esse déficit chegou a quase 4 bilhões de dólares – o pior resultado em 14 anos.

As ações da Petrobras voltaram a despencar. A queda foi de mais de 6%, o que acabou derrubando também a Bolsa. Fora a perda de prestígio do governo junto ao PMDB, principal aliado e fiador do PT no poder. Cenário nada auspicioso.

Está na nova equipe econômica a esperança de sanar a economia e reconquistar a credibilidade do país. Isso se Dilma não atrapalhar. Caso contrário seguiremos para o fundo do poço. Pior é saber que, no Brasil, até o fundo do poço tem subsolo.