Eu, Donald Trump e meu amigo Maomé

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 12/12/2015 12h48
Pré-candidato republicano Donaldo Trump durante ato de campanha na Carolina do Sul

Numa conversa de sábado aqui na Jovem Pan, eu deveria me esquecer de Donald Trump. Passei a semana lendo, escutando e falando aqui na rádio sobre o bilionário bufão, que eu considero fascista e que segue firmão na corrida das primárias presidenciais republicanas.

Ele continua firmão apesar ou graças ao discurso demagógico, cujo alvo preferencial agora são os muçulmanos. Trump quer que a entrada de muçulmanos seja proibida nos Estados Unidos como segurança antiterror.

Trump fatura com o medo de muita gente. Claro que o perigo é genuíno. O terror islâmico faz hoje parte do cotidiano da humanidade, mas são os muçulmanos mais do que ninguém que podem e devem derrotar esta barbárie. E quem pensa exatamente assim é Mohamed, Maomé, não o Profeta, mas meu amigo. Meu companheiro de esporte, há décadas jogamos squash, Maomé Iqbal, está em pânico com as jogadas de Trump.

Nascido no Sri Lanka, o antigo Ceilão, Maomé é um profissional bem sucedido, com doutorado na área de irrigação. Já é cidadão americano, com filhos e netos. Maomé é super patriota, adora o estilo de vida americano e se diz sempre grato pelas oportunidades profissionais e pessoais que teve no país de adoção.

Esta é uma sociedade diversificada. Pois bem, estão aí dois amigos do peito, o muçulmano Maomé e o judeu Caio. Maomé diz que no ar existe cada vez mais hostilidade contra muçulmanos, existe suspeita, e existe temor entre os muçulmanos de que não sejam parte deste caldeirão étnico, racial e religioso.

Maomé bate na tecla que os maiores aliados do Ocidente contra o terror islâmico são os muçulmanos. Meu amigo inclusive é a favor de agentes do FBI em mesquitas americanas para saber o que se passa, que atuem nos templos para identificar radicais com planos terroristas ou de aderirem a grupos extremistas na Síria. Para Maomé, com seu discurso, Trump acaba sendo de grande valia para o terror islâmico por gerar pânico na população e por fazer muçulmanos se sentirem marginalizados.

Bem, a conversa está pesada para um sábado cedo. Hora de pegar a raquete e ir para a academia jogar squash com meu amigo Maomé.