Exército no Complexo da Maré; entenda as implicações

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2014 11h36

Reinaldo, o exército vai ocupar com 1.500 homens Complexo da Maré no Rio por tempo indeterminado. As Forças Armadas é que vão servir de UPP, o que você acha disso?

Dou é graças a Deus por Dilma não ter cumprido as suas promessas de campanha também nessa área. Ela prometeu usar a segurança pública do Rio como modelo para o país inteiro. Deus nos livre. Eu como paulista adoraria ter aquela paisagem da Cidade Maravilhosa, mas não aquela política de segurança pública.

Nesta segunda, José Mariano Beltrame, secretário da área, anunciou que 1.500 homens do exército do exército vão se instalar no Complexo da Maré por tempo indeterminado. Em si, não vejo nada de errado. O meu primeiro texto defendendo que as forças armadas ponham para correr o narcotráfico é de 1986, há 28 portanto.

Mas tentaram me convencer ao longo desse tempo de que isso é coisa de gente reacionária, conservadora e malvada. Agora que vejo os progressistas do PT, em associação com os carnavalistas do Cabral, mandando o exército ocupar o morro, penso que ou eles todos se tornaram reacionários, conservadores e malvados como eu, ou eu que me fiz esquerdista e carnavalista como eles. Como estou convicto que não sou nem uma coisa nem outra, talvez eles tenham mudado.

Vamos ao que disse Beltrame, secretário de Segurança Pública do Rio: “nós não setamos pensando na Copa do Mundo. Nós estamos pensando no cidadão brasileiro. Estamos pensando nos policiais que estão morrendo covardemente em razão de o tráfico estar perdendo força”.

Epa, o fato de haver policiais assassinados prova que a sua política de Segurança Pública está dando resultado. Levado o juízo ao termo, quanto mais policiais mortos, mais seguro estaria a população do Rio. Pode-se dizer tudo de Beltrame, menos que seja um homem com pensamento convencional.

Mas porque esse tonzinho de ironia, Reinaldo Azevedo? Porque o Rio de Janeiro segue realizando um suposto milagre na segurança pública. Beltrame continua a pacificar favelas, que agora têm de ser chamadas de “comunidades”, sem prender a bandidagem. Que ou foge, ou continua a utilizar a população.

Se as forças de segurança permitem que os donos do morro continuem exercendo livremente o seu, como direi, tudo bem. Caso contrário, os policiais morrem. Faz sentido, afinal se a polícia se chama pacificadora, ela pacifica forças legitimamente beligerantes entre si, certo? E para que haja paz, nessa relação, não pode haver a guerra. Assim, bandidos não devem se meter com policiais e policiais não devem se meter com bandidos.

É dessa polícia que o Brasil precisa? Tudo foi meticulosamente pensado para que se chegasse a 2014 com o Rio vivendo em estado de graça na área de Segurança Pública, com as favelas pacificadas, os bandidos ocultados, todo mundo atuando no mesmo lado. Tudo para estrangeiro ver.

E no entanto, no ano símbolo da satanização das forças armadas, por causa dos 50 anos do movimento de 1964, foi preciso chamar o exército para amenizar as burradas feitas por sucessivos governos na área de segurança pública, inclusive o Cabral.