Financiamento de campanhas políticas será todo por debaixo do pano

  • Por Rachel Sheherazade/Jovem Pan
  • 15/09/2015 10h59
Vista geral do Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. 03/12/2014 REUTERS/Ueslei MarcelinoCâmara dos Deputados

Se a presidente Dilma não vetar, e tudo indica que ela não vetará, vai virar lei um novo absurdo aprovado pela Câmara Federal.

Trata-se da institucionalização das doações ocultas nas campanhas eleitorais. De acordo com a reforma política votada pelos deputados, a partir de 2016, todo e qualquer repasse de dinheiro aos candidatos será velado. O que quer dizer que as doações de campanha estarão escondidas sob o manto do sigilo. Ninguém, nem os eleitores nem a justiça eleitoral, poderá saber quem doou o quê a quem.

O financiamento de campanhas políticas será todo por debaixo do pano e com a chancela da lei.

O texto da reforma aprovado na Câmara diz que as empresas ficarão proibidas de doar diretamente aos candidatos. Elas só poderão repassar dinheiro aos partidos políticos. De posse dos recursos, as legendas deverão redistribuir as doações aos seus políticos. Acontece que, pela nova regra, nem os candidatos nem os partidos serão obrigados a identificar quem foi o doador original.

Resumo da ópera: é o fim do princípio da transparência nas eleições. Transparência, aliás, que tem ajudado a Polícia Federal e o Ministério Público a rastrearem as doações ilegais a campanhas do PT, por exemplo, irrigadas, supostamente, com dinheiro de propina desviada da Petrobras.

Sem a devida transparência, será impossível detectar casos de corrupção, lavagem de dinheiro, uso da máquina pública e tráfico de influência nas campanhas eleitorais. Pois, se não é possível saber que empresa doou a que candidato, também não será possível saber, por exemplo, se o político beneficiou ou não a doadora, depois de eleito.

A nova lei vai na contramão do bom-senso e é um retrocesso sem tamanho para o processo eleitoral: um verdadeiro desserviço à nação.

A oficialização da doação oculta mostra o quanto políticos canalhas e empresários desonestos têm a esconder do eleitor. E boa coisa não é.