Globalização contra um novo populismo

  • Por Caio Blinder
  • 01/07/2016 12h33
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Reprodução/Facebook Reino Unido imigrantes

 Na votação pela saída da Grã Bretanha da União Europeia e na base de sustentação do candidato republicano Donald Trump, o fator imigração é chave para entender o sucesso da mensagem, mas como a hostilidade contra imigrantes se tornou o combustível para esse discurso populista?

Uma resposta fácil para muita gente dos dois lados do Atlântico é que as últimas décadas foram cruéis para muitos trabalhadores e eles culpam os estrangeiros.

Deixando as paixões de lado, o Wall Street Journal publicou um texto cerebral e com base em estudos acadêmicos argumentando serem fracas as relações entre as dificuldades econômicas e a aceitação dos imigrantes.

Na verdade, as hostilidades contra minorias externas estão muito mais vinculada à preocupação com o sentido de identidade nacional e de controle de fronteiras do que com empregos e salários.

Em seu simplismo, populistas como o bilionário americano alimentam esse ódio contra imigrantes em um ataque amplo contra a globalização e as elites. Uma mensagem nostálgica, como se fosse possível voltar ao sistema econômico e social de décadas atrás para, dessa forma indecente, apelar para a xenofobia.

Para frear a carga contra a imigração e globalização mundial é preciso não somente desmontar a desinformação trumpista, mas também não idealizar as coisas com mensagens politicamente corretas.

Citar exemplos de países como Canadá e Austrália mostrarão como se ter uma alta porcentagem da população de estrangeiros sem incitar grandes ressentimentos. No canada, 20% dos habitantes nasceram fora do país e, na Austrália, a cifra é de quase 28%. Nos EUA, são 13%. No geral, esses três Estados souberam organizar o fluxo de entrada de outros povos.

No caso britânico, a má vontade foi municiada pelo fluxo rápido de entrada de estrangeiros nos últimos quatro anos. Estes foram estimulados pelo bom cenário econômico em comparação com o resto da Europa.

Os estudos acadêmicos citados pelo jornal mostram que a população local é mais receptiva a imigrantes mais bem educados e qualificados. Obviamente que a recepção é melhor para estrangeiros legais.

Raça ainda é um fator e, a rigor, estamos falando de racismo, mas não é uma causa dominante. A assimilação é um agente decisivo para a aceitação. Os dados estão aí, mas as lições não podem ser subestimadas. A situação geográfica de Canadá e Austrália permite esse luxo seletivo e, ademais, são países imensos e com população escassa.

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