Governo Temer passa por mais um final de semana de sobrevivência

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2017 11h21

Cadeira presidencial vazia no Palácio do Planalto

Divulgação/Palácio do Planalto DIV - Cadeira presidencial vazia no Palácio do Planalto

O comentarista Marco Antonio Villa destaca os principais assuntos da semana em sua participação no Jornal da Manhã deste sábado (27). Nos últimos dias, a discussão sobre eleições indiretas, presidência do BNDES e Cracolândia tomaram conta do noticiário. Confira abaixo:

Eleições indiretas

O presidente do Senado, Eunício Oliveira, reclamou de uma eventual eleição indireta dizendo que o Senado tem menos peso que a Câmara dos Deputados em uma escolha para a sucessão de Temer, caso ela seja feita pelo Congresso Nacional.

Villa diz que o senador está “redondamente enganado”. “Quando tem reuniões do Congresso Nacional, tem parlamentares. Votações são conjuntas. Quando é eleição indireta, é reunião conjunta. Não é quem tem mais ou menos peso. Senado é menor que a Câmara em número de parlamentares, mas em reunião no Congresso, existem congressistas e não deputados e senadores”.

Dança das cadeiras no BNDES

O presidente da República, Michel Temer, anunciou na noite desta sexta-feira (26) que convidou o economista Paulo Rabello Castro, atualmente presidente do IBGE, para substituir Maria Silvia Bastos no comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Castro aceitou o convite e começará seu trabalho na instituição já na próxima semana”, diz nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

Para Villa, a saída de Maria Silvia Bastos Marques mostra sua dignidade e evita que ela se misture com a corrupção. “Ela saiu não por incompetência, mas porque não queria continuar assistindo o que estavam fazendo com o BNDES”, diz.

Internação compulsória de dependentes químicos

A Justiça de São Paulo aceitou na noite desta sexta-feira (26) o pedido da Prefeitura de São Paulo para a apreensão de usuários de drogas da região da Cracolândia para a realização de exames. O juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, determinou, porém, que a internação compulsória continue dependendo de aval do Judiciário para cada caso, conforme prevê a legislação federal.

A decisão judicial valerá apenas para dependentes químicos maiores de 18 anos da Cracolândia e adjacências. Eles poderão ser conduzidos à força por agentes de saúde e do serviço social com acompanhamento da Guarda Civil Metropolitana. O pedido foi feito na quarta-feira (24), pela Procuradoria-Geral do Município, três dias após a operação policial que prendeu traficantes na Cracolândia e dispersou os viciados na região.

O promotor Arthur Pinto Filho, da área da Saúde Pública, disse que o Ministério Público Estadual recorrerá ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Segundo ele, o pedido é “esdrúxulo”, “genérico” e “sugere uma caçada humana” a pessoas que vagam pelas ruas. A Promotoria de Direitos Humanos classificou a medida como “um retrocesso ao começo do século passado” e “uma afronta à lei antimanicomial” de 2001.

Villa critica a fala do promotor: “ele não conhece o stalinismo, nazismo, tráfico de escravos negros, massacre dos armênios, para dizer que isso é uma caçada humana”.

“Não basta só ocupação policial na região. Precisa dar segurança a comerciantes, moradores, transeuntes e combater o crime organizado e enfrentar. Tem que fazer essa questão humanitária e bater de frente com aqueles que querem a permanência da Cracolândia. Em termos de saúde pública e de humanidade, é uma grande tarefa e tem que ser feita, porque os últimos prefeitos tentaram e fracassaram”, finaliza Villa.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.