Graça Foster obtém quase nada de “sucesso” com audiência no Senado

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2014 10h42

Reinaldo, Graça Foster, a presidente da Petrobras, foi se explicar aos senadores. Ela foi bem sucedida?

Só um pouquinho, quase nada. Graça é muito assertiva, fala com desenvoltura e passa uma imagem de serenidade, inspira credibilidade. O problema é que ela foi ao Senado fazer um discurso impossível. O que quero dizer com isso? Graça pretendia que seus interlocutores entendessem que a compra da refinaria de Pasadena fazia e não fazia sentido ao mesmo tempo. Que era e não era justificável. Que houve e não houve comportamento heterodoxo nessa conversa toda. Vamos ver.

Numa das linhas de argumentação a presidente da Petrobras tentou explicar aos senadores que compra de Pasadena, que se revelou, segundo ela própria, um mal negócio, fazia sentido naquela hora, em 2006. As circunstâncias do mercado, segundo ela, justificavam aquela escolha. Muito bem, pode-se concordar ou não com os argumentos, mas é uma linha de defesa.

Ocorre que ao mesmo tempo Graça estava lá para sustentar a versão da presidente Dilma. Qual? A de que o conselho desconhecia as duas cláusulas consideradas polêmicas. A que impunha a compra da outra metade em caso de desentendimento entre os sócios e a que garantia à Astra Oil uma rentabilidade de 6,9% ao ano, independentemente das condições de mercado.

Pois é. Sim, já está evidenciado que Dilma e os demais conselheiros, com efeito, desconheciam essas duas cláusulas. Ainda nesse ponto, atenção. Dilma poderia não ter levado a bomba para explodir dentro do Palácio do Planalto, poderia ter dito lá atrás algumas coisa assim: “Olhe, eu não conhecia, ninguém conhecia. Mas andei pesquisando e, mesmo com as cláusulas, o negócio fazia sentido”. E segurasse o rojão, ora essa.

Quando se é governo, perdoem-me o clichê, há o bônus mas também há o ônus. Mas que. Dilma foi a primeira a assumir a posição da ludibriada. Dilma foi a primeira a assumir o lugar da traída. Dilma foi a primeira a exercer o discurso da enganada. Dilma foi a primeira autoridade de peso a sustentar que a Petrobras havia sido, em suma, vítima de uma trapaça, de um memorial executivo omisso, que forneceu ao conselho informações apenas parciais.

Ora, ela queria o que? Que as oposições, e na verdade milhões de brasileiros, dissessem “Pô, coitada da presidente, foi enganada por aqueles caras da Petrobras”. Ora, comprovadamente, a partir de 2007, Dilma sabia de tudo. Porque esperou mais de sete anos para tomar uma providência?

A presidente da Petrobras, Graça Foster, cobra demais de seus interlocutores. Pede que condescendam com uma linha de argumentação e também com seu contrário. Sim, ela foi muito firme e assertiva, acontece que a sua tese é muito ruim.