Haddad decidiu ser prefeito de cidade imaginária

  • Por Jovem Pan
  • 09/02/2015 12h22

Reinaldo, e o prefeito Fernando Haddad? Está bem na fita?

Que nada! Tá mal pra caramba. Só 20% dizem que sua gestão é ótima ou boa, contra 44% que a consideram ruim ou péssima. Os números estão bem próximos do seu pior momento, em junho de 2013: 47% a 15%, respectivamente. O saldo negativo, agora, é de enormes 24 pontos. Em setembro do ano passado, fui surpreendido pelos números do próprio Datafolha, que apontavam uma diminuição substancial da rejeição ao prefeito. Sua gestão, então, teria 22% de ótimo e bom e só 28% de ruim e péssimo. Com todo o respeito e sem inferir nada contra o Datafolha, não acreditei nos números.

A única área em que Haddad é incensado, aprovado quase por unanimidade, é a imprensa paulistana. A propósito: o Datafolha apontava em setembro que 80% dos entrevistados aprovavam as ciclofaixas… Escrevi à época que isso não era uma opinião, mas um preconceito: como as ditas-cujas se transformaram num fetiche do jornalismo descolado, mesmo quem as reprova não diz. Mas voltemos aos números.

Na pesquisa de agora, aqueles 80% seriam 66%, e cresceu o número dos que são contra a área exclusiva para bicicletas: de 14% para 27%. Continuo a considerar que esses dados não espelham a realidade. Tornou-se politicamente incorreto se opor à medida. Ademais, há números estranhos: só 27% dizem ter bicicleta, mas 51% já teriam usado as ciclofaixas. Com veículos alugados? Duvido! A moçada que eventualmente usa a pista para lazer no fim de semana em companhia dos amigos contamina a pesquisa. As ciclofaixas seguem sendo vastas solidões antes vermelhas, hoje entre o marrom e o amarelo desbotado, cortando a cidade e abrigando ninguém. Logo, Guilherme Bolos leva seus sem-tetos de mentirinha para lá.

Haddad é do PT, sim, mas é evidente que a crise da Petrobras não afeta a sua reputação. A sua única relação com os assaltantes, até agora, está em pertencer ao mesmo partido de alguns dos ladrões. Mas a população, sabemos, não faz esse juízo. Também os estelionatos eleitorais de Dilma não o atingem. Logo, os motivos que pesam contra a presidente não pesam contra ele. Então o que pesa contra Haddad? Ora, Haddad!

Haddad obtém esses números porque a sua gestão é ruim para valer e porque ele decidiu ser o prefeito de uma cidade imaginária. Escolheu ser o porta-voz das elites moderno-esquerdosas, que se querem, intelectuais. Vá medir a popularidade de Haddad entre ciclistas profissionais: ele deve ter quase 100% de aprovação. Também os travestis, agora com direito a bolsa, e todos os militantes das “questões de gênero” certamente o consideram o máximo. E creio que seu prestígio ande bem entre os grafiteiros, que agora já podem sujar até o patrimônio tombado.

Haddad é um nefelibata arrogante, um esquerdista pós-cretino e um coxinha com complexo de revolucionário. A zeladoria da cidade raramente foi tão miserável. Suas ciclofaixas – feitas a um custo escandaloso e eu ainda voltarei a esse assunto – se transformaram num fator de transtorno e só atendem à pressão de meia dúzia. O prefeito entregou  parte considerável da área central da cidade a traficantes e consumidores de drogas.

Ignora os problemas de São Paulo, sua gente real, suas deficiências reais, sua geografia real, suas ruas reais, suas carências reais, para se comportar como o prefeito de uma Nova York ideal, de uma Amsterdã ideal, de uma Berlim ideal.

Não sei se será ou não reeleito. É muito cedo. Espero que não. Quatro anos já custarão à cidade pelos 40 de atraso. De todo modo, cumpre ficar atento. Não me lembro de nenhuma figura que tenha contado antes com tantos porta-vozes na imprensa paulistana, insuportavelmente provinciana na sua sede de querer parecer “moderna” e “antenada”. Para essa gente, Haddad é um prato cheio: governa para todas as minorias influentes que aparelham o jornalismo.

Atenção: um quilômetro de ciclovia (não de ciclofaixa xexelenta) em Amsterdã custa R$ 210 mil; em Paris, R$ 150 mil. Em São Paulo, o mesmo tanto de ciclofaixa, em meio a buraqueira e mato, sai por R$ 650 mil. A população de São Paulo lhe dá nota 4,2. É muito.  Haddad ainda tem espaço para cair.