Inferno astral da Petrobras pode ter implicações maiores para a economia

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2015 15h34

Os casos de corrupção envolvendo a Petrobrás chamam atenção pelo uso indevido da maior estatal brasileira, por interesses políticos e financeiros, pelo imenso desvio de recursos públicos, de recursos de todos nós, pela dilapidação do patrimônio público. Queremos punições.

Só que as implicações financeiras de toda essa situação podem ter desdobramentos ainda mais sérios para a economia do País do que o enfraquecimento da nossa maior estatal. O envolvimento das empreiteiras e a paradeira de atividades, de projetos, a crise financeira que enfrentam ameaçam milhares de empregos, centenas de fornecedores, bancos que emprestaram recursos ou financiaram projetos e algumas das principais obras de infraestrutura, fora as que deveriam, com urgência, sair do papel. As perspectivas de investimentos no País ficam comprometidas, pelo menos, no curto prazo.

As empreiteiras têm dívidas de cerca de R$ 130 bilhões. Até Joaquim Levy já demonstrou preocupação quanto às implicações para o setor bancário. Paralelamente, a presidente Dilma deu aval para empréstimos à Sete Brasil, maior fornecedora de sondas para exploração do pré sal, também sob suspeita de gestão irregular, cujo socorro ameaça as promessas de maior austeridade fiscal e de fim do patrimonialismo tão repetidas pelo novo ministro da Fazenda.

São questões que exigem um posicionamento urgente. Estimativas apontam que as atividades da Petrobrás e toda a cadeia envolvida respondem por cerca de 13% do PIB, de tudo o que o País produz. Numa fase de crescimento tão fraco como o que estamos vivendo, sem muitas perspectivas de reação no curto prazo, arrastar os problemas que envolvem a Petrobrás só colabora para colocar a nossa economia em um ritmo ainda mais firme de desaceleração.

Há perdas para a estatal, para acionistas aqui e no exterior, para a futura independência do País na exploração do petróleo; retrocesso de projetos. Mas é importante que se tente minimizar a reação em cadeia e perdas ainda maiores para a economia brasileira. E, no final das contas, tomara que toda essa onda de escândalos sirva para dar maior transparência na relação entre governo e estatais e das regras de concessão de obras, inclusive para a atração de novos investidores, sem o carimbo da corrupção.