Rachel Sheherazade: inimigos são os que se apoderam do islã para manipular a vontade perfeita de Deus

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2015 11h39

Mais um jornal – desta vez um alemão – foi alvo de ataque de extremistas. Mais uma vez, o fundamentalismo islâmico surpreende o mundo.

O islã, em si, não é o problema. Não é ele o grande inimigo da civilização ocidental. Inimigos são os que dele se apoderam para manipular a vontade perfeita de Deus e fazer a vontade egoísta do homem. Inimigos são os líderes de movimentos aparentemente religiosos, mas que transmutam as palavras divinas para conquistar a supremacia política e ideológica.

Como os falsos profetas dos Evangelhos, há, também, os  falsos Imãs, sacerdotes muçulmanos a quem pouco importa o “salam” (a paz), o amor ao próximo, e a tolerância, princípios do Alcorão, encobertos para justificar a loucura da Jihad.

Inacreditavelmente, depois dos ataques ao jornal francês, ainda há quem tente justificar as atrocidades cometidas pelos fanáticos muçulmanos. Esses oportunistas estão comparando o terrorismo islâmico em pleno século XXI aos pecados da Igreja cristã primitiva, nos idos negros da Idade Média, uma época onde a ignorância prevalecia, em que os cristãos sequer tinham acesso à palavra de Deus, regalia exclusiva do alto clero.

Naquele tempo de trevas, os filhos de Deus não eram convertidos pela fé, mas pela espada. E ai daqueles que se opusessem aos dogmas católicos. A fogueira era seu castigo. A danação era o seu destino.

Mas, desde esse interlúdio de trevas, a Igreja cristã evoluiu, reconheceu seus erros, se retratou. Com a reforma protestante, a tradução da Bíblia para outros idiomas e o acesso de qualquer pessoa à palavra de Deus, o cristão aprendeu que o Senhor não assalta as almas, Ele corteja o coração; que a salvação não vem pelo fio da espada, mas pela fé em Cristo.

Não é o caso do fundamentalismo islâmico que ao longo do tempo só vem recrudescendo o ódio contra a humanidade, o livre arbítrio e, principalmente, contra outras religiões.

Eu não entendo um Deus que se volta contra seus próprios filhos. Não reconheço um general divino que usa soldados humanos para uma guerra dita santa, quando o próprio Deus é todo poderoso para fazer, Ele mesmo, sua vontade, se assim o quiser.

Não é Deus quem manda estuprar crianças, humilhar mulheres, decapitar infiéis, explodir pessoas, matar inocentes. Isso é obra de homens.

Deus é amor, e apesar de tantas crenças, religiões, denominações, Deus é um só.

Hoje o vemos como um espelho quebrado. Em cada canto da terra, um fragmento de Deus. Cada religião toma seu caco para si, e brada com autoridade de quem conhece o divino mais do que Ele próprio:

“- Este é o Senhor. Estes são seus profetas. Esta é a sua vontade. Esta é a sua guerra”.

Deus não é a interpretação imperfeita do homem. Deus é mais que uma parte. É o Todo.