Institutos de pesquisas estão descredibilizados pelo mundo

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 05/10/2016 08h06
BOG20. BOGOTÁ (COLOMBIA), 02/10/2016.- Una mujer llora luego de escuchar los resultados del plebiscito hoy, domingo 2 de octubre de 2016, en Bogotá (Colombia). La opción del "no" al acuerdo de paz firmado por el Gobierno colombiano con la guerrilla de las FARC está al borde de conseguir el triunfo en el plebiscito celebrado hoy en el país, cuando queda menos del 1 por ciento de las mesas por escrutar, según datos oficiales. Con el 99,08 % de las mesas contabilizadas, el "no" al acuerdo de paz obtenía 6.400.516 votos, que equivalen al 50,24 % del total, mientras el "sí", que comenzó liderando el recuento alcanzaba 6.338.473 papeletas, que representan el 49,75 %, lo que supone una ventaja de 62.043 sufragios. EFE EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDAMulher chora ao escutar resultado do "não" ao acordo de paz com as FARC decidido em plebiscito no último dia 2

Eu brinco muito sobre o mitológico Instituto Blinder&Blainder, do qual eu sou presidente e único funcionário. É um instituto que trabalha com uma vasta margem de erro, com seus chutes eleitorais. E realmente está difícil acertar, pois nossas boias de salvação são os dados fornecidos por legítimos institutos de pesquisa. E por culpa dos legítimos, o mitológico Blinder&Blainder está boiando.

Nem vou falar de pesquisas brasileiras, mergulho pouco nos assuntos locais. Prefiro falar do resto, o imenso mundinho. Basta ver o que aconteceu no domingo na Colômbia. Foi desconcertante o erro dos institutos colombianos de pesquisas. As previsões, todas elas, eram de vitória do sim, até por margem de 2 a 1, no plebiscito sobre o acordo de paz. Deu o não por uma margem apertadíssima de 0,4%.

Agora é a hora das desculpas. Uma delas: os entrevistados nas enquetes não falavam o que pensavam, em parte por vergonha de assumir que estavam contra o acordo de paz, pois com o não pareciam ser moralmente inferiores aos partidários do sim. Este é o papo de Javier Restrepo, diretor do Instituto Ipsos, que previu 66% de votos para o sim, o dobro em relação ao não.

O fato é que o vexame colombiano se soma a outros revezes de institutos de pesquisas nos últimos tempos, a destacar o voto Brexit, que culminou na decisão dos eleitores britânicos em junho de saída do país da União Europeia. Outros vexames recentes foram em eleições presidenciais na Argentina e para governador no México.

Em uma entrevista ao Wall Street Journal, o ex-ministro das Relações Exteriores do México, Jorge Castañeda, racionaliza que existe uma fúria global e generalizada contra o que está aí. Logo, as pessoas consideram institutos de pesquisa parte de uma elite desacreditada. Na hora da resposta, mentem ou escondem suas intenções de votos.

Existe também um papo infindável entre especialistas em pesquisas sobre metodologias anacrônicas (gostaram do palavrão?), que não levam em conta o impacto e a volatilidade das redes sociais, em particular nas horas anteriores a uma votação. Deixo este papo para os especialistas. Apenas alerto para o perigo de conclusões levianas de que institutos de pesquisas estejam completamente desacreditados.

O Blinder&Blainder mantém sua reputação (que nunca foi alta) e reitera sua previsão de que Hillary Clinton irá derrotar Donald Trump por uma diferença de 4 a 7 pontos em 8 de novembro.