Liderança política global tem desafios múltiplos para enfrentar em Davos

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 21/01/2016 09h14
Fórum Econômico Mundial em Davos

O encontro esta semana em Davos, na Suíça, de políticos, banqueiros e empresários no Fórum Econômico Mundial é obviamente uma oportunidade de ouro para um balanço do cenário mundial, tanto na economia, como na política. E desde a grande crise de 2008 e 2009 não existiam tantas fontes de ansiedade.

A lista é enorme. Vamos enumerá-la: o enfraquecimento da economia chinesa, os descaminhos de outros grandes emergentes como o Brasil, o colapso dos preços do petróleo, a escalada de tensões no Oriente Médio, que fez com que a crise dos refugiados se alastrasse pela Europa, a dificuldade para as economias maduras crescerem de forma vigorosa e nos Estados Unidos, o país mais poderoso do mundo, o espetáculo eleitoral que tem Donald Trump no centro do palco.

Esta evidente que os desafios são múltiplos e díspares. Não temos apenas um foco preferencial, como em anos anteriores. Em 2010, era a crise na zona do euro. Em 2014, a maior preocupação global era a intervenção russa na Ucrânia.

O fato é que o fio da meada para tantas crises pipocarem com esta intensidade no 2016 que está apenas começando é, a rigor, o terremoto global que começou em 2008 com a crise financeira desfechada nos Estados Unidos e que se alastrou pela Europa e pelo resto do mundo. Os abalos são sentidos fortemente na China, que se converteu no grande motor de crescimento global.

Os efeitos estão aí, sentidos particularmente no Brasil que tanto apostou e dependeu da demanda chinesa nos tempos da euforia lulopetista. Em termos geopolíticos, a crise financeira americana fez com que o império de Washington se distanciasse do seu papel de xerife do mundo, algo acentuado pelo fiasco da invasão no Iraque em 2003. Esta postura agravou os conflitos dentro do Oriente Médio, marcados em particular pela rivalidade entre Arábia Saudita e Irã. Entre as sequelas estão a intensificação de terrorismo e de ondas de refugiados.

São desafios imensos diante da liderança política global e sabemos que quem deveria ser o líder mais ativo, Barack Obama, é marcado pela cautela e mesmo timidez. A China em ascensão, mas em crise econômica, não está madura para ocupar um papel de liderança geopolítica mais relevante.

Em resumo, são tempos de muita turbulência econômica e política, além de vácuo de liderança.