A lista: poder político da Odebrecht é maior agora do que antes!

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 16/03/2017 09h12
Fachada da Odebrecht - EFE

E vazaram novos nomes da lista dita “sigilosa” de Rodrigo Janot. Aliás, é impressionante que se fale em sigilo nesse caso. Tenham paciência. Que tudo venha a público logo, o que tirará dos vazadores a prerrogativa de contar a história como lhe dá na telha. Sim, há um sexto ministro na lista e menção a governadores de Estado, senadores e deputados. Já afirmei isto aqui, mas repito: o que se tem até agora é apenas pedido de abertura de inquérito. No caso dos chefes de executivos estaduais, é um pouco menos do que isso ainda. Mas e daí? A reação da sociedade é um “abaixo a política!” Os psicopatas das redes sociais já tratam todos como culpados. As esquerdas sorriem de orelha (enorme!) a orelha (também enorme!).

Comecemos pelo mais enrolado. Janot incluiu em sua lista menção a 10 governadores. Entre eles estão Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Fernando Pimentel (PT-MG), Tião Viana (PT-AC), Beto Richa (PSDB-PR) e Renan Filho (PMDB-AL). Janot já avisou que não tem preconceito partidário. O procurador pede a Edson Fachin, relator do petrolão no STF, que o caso dos governadores seja enviado ao STJ, que é seu foro especial. Aí, então, ele deve decidir se pedirá ou não a esse tribunal a abertura de inquérito.

Marcos Pereira (PRB), da Indústria e Comércio, é o sexto ministro da lista. Os outros são Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Há também uma leva ainda não citada de senadores — Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Lídice da Mata (PSB-BA) — e de deputados: Marco Maia (PT-RS), Andrés Sanchez (PT-SP), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), José Carlos Aleluia (DEM-BA) e Paes Landim (PTB-PI).

Já haviam vazado os nomes dos presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG).

Que coisa!

Pois é… Eu me lembro da obsessão de setores da imprensa com a Odebrecht, em especial com Marcelo Odebrecht, não é? Textos os mais irônicos foram publicados mangando do filho dileto da elite brasileira que está puxando uma cana. “Que tenha de tomar banho frio!” Esse era o melhor destino que lhe reservavam — para mim, já seria uma forma de tortura, confesso… Havia em relação a ele mais — ou menos! — do que desejo de justiça: era desejo de vingança…

Pois é… E olhem quem, afinal de contas, acabou sendo o grande contador da história! Justamente a Odebrecht, aquela que era pintada como o Belzebu. Se vocês notarem bem, o poder de influência da empresa e de seus executivos é maior agora do que antes. Foi justamente a delação do executivos do grupo que serviu para “democratizar” as culpas.

Não estou responsabilizando a empresa e seus delatores por isso. Pode até ser que todos tenham contado a verdade. Esse não é o ponto. O que interessa — e isto está presente até naquela carta patética de Rodrigo Janot — é que as delações da Odebrecht serviram para ancorar a tese de que o PT, afinal, foi apenas um culpado entre muitos; como se estrutura semelhante tivesse havido antes.

A isso nos conduziu o trabalho de Rodrigo Janot.

A direita xucra relincha, dando as boas-vindas à esquerda…