MBS, o homem mais perigoso do mundo?

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 23/06/2017 13h49
AR01. MECA (ARABIA SAUDÍ), 22/06/2017.- Fotografía cedida por la agencia de prensa saudí que muestra al príncipe heredero de Arabia Saudí, el príncipe Mohammad bin Salman al-Saud, durante su encuentro con el Presidente de la República de Sudán, Omar al-Bashir (fuera de cuadro), hoy, jueves 22 de junio de 2017, en La Meca (Arabia Saudí). EFE/AGENCIA DE PRENSA SAUDÍ/SOLO USO EDITORIAL/NO VENTASPríncipe herdeiro da Arábia Saudita

Memorizem estas iniciais: MBS. Assim é conhecido Mohammed bin Salman, filho do octogenário e já demente rei saudita Salman, que na quarta-feira foi nomeado herdeiro do trono por seu pai. O dia de amanhã é incerto no Oriente Médio, mas o príncipe de 31 anos é capaz de ficar no poder por meio século, se sobreviver a intrigas palacianas ou não.

Sua ascensão a herdeiro era esperada, mas o timing do anúncio é sintomático. Para todos os efeitos, MBS já controla as engrenagens do poder político, militar e econômico do país, mas o anúncio dá a medida da importância histórica e gravidade do momento.

MBS tem pressa. É milionário ao padrão príncipe saudita e tem componentes nababescos à altura, como o iate Serena. No entanto, também é chegado no trabalho duro para modernizar a economia saudita.

Cercado de jovens tecnocratas, ele quer reduzir a dependência da bendita maldição que é o petróleo, podar a corrupção, tirar a sociedade do seu marasmo e agitar a moçada para trabalhar, inclusive as mulheres. Boa notícia para elas: em breve talvez tenham permissão para dirigir e MBS quer diminuir o poder sufocante dos clérigos fundamentalistas no dia a dia da sociedade saudita.

A ambição e agressividade de MBS estão patentes também na política externa. Ele quer partir para a ignorância na disputa por hegemonia regional com o Irã. É uma impetuosidade que tem o beneplácito do presidente americano Donald Trump, com o qual o jovem herdeiro costura uma relação cada vez mais íntima, que se estende ao todo-poderoso genro presidencial, Jared Kushner.

Para trás ficou o grande e ingênuo plano de Barack Obama de buscar uma acomodação no Oriente Médio entre Arábia Saudita e Irã. Com Trump e o garotão MBS, serão dias de emoções ainda mais perigosas no Oriente Médio.

Não é à toa que um perfil de MBS no jornal britânico The Independent recebeu o título-pergunta: “O homem mais perigoso do mundo”? Sensacionalista, é claro, pois na parada estão o setentão Trump e aquele outro garotão no poder na Coreia do Norte.