A mensagem demagógica de Donald Trump é potente

  • Por Caio Blinder/ JP Nova Iorque
  • 04/05/2016 12h56
Donald Trump

O bizarro é o novo normal na política americana. Donald Trump se consolidou como o candidato republicano nas eleições presidenciais de novembro. Foi uma terça-feira vertiginosa. Com sua derrota devastadora nas primárias de Indiana, o senador texano Ted Cruz abandonou a corrida, abrindo o caminho para a consagração de Trump na convenção republicana de julho próximo.

Quando lançou sua candidatura em junho, Trump foi tratado por muita gente, inclusive eu, como uma piada. A ficha caiu há um bom tempo: Trump é sério, um perigo, um insulto aos melhores valores americanos, mas ele tem um instinto para captar as ansiedades de uma parcela da população para a qual o sonho americano não passa de uma realidade frustrante e a resposta deve ser o ressentimento.

A mensagem demagógica de Trump é potente, potente contra minorias, contra muçulmanos, contra a globalização, a favor da xenofobia, da guerra comercial, de uma inquietante narrativa da identidade branca. Trump não é um racista acintoso, mas fatura com estas ansiedades sociais de que o outro, o estrangeiro, está chegando para conquistar a América.

Não vamos esquecer que Trump, um pródigo adepto de teorias conspiratórias, flertou com a candidatura presidencial em 2012 quando de forma infame insistia que o presidente Barack Obama, em campanha de reeleiçãoo, era um impostor que nascera no Quênia.

Trump tem um altíssimo nível de rejeição, isto não impediu o seu triunfo nas primárias republicanas. A expectativa é de que os democratas tenham aprendido as lições e não serão complacentes como a elite republicana que permitiu que Trump tomasse posse do partido. Os republicanos estão divididos, mas eu creio que feridas serão em grande parte cicatrizadas para enfrentar o inimigo comum, Hillary Clinton.

Um sintoma da força do apelo populista é que Hillary foi derrotada na terça-feira por Bernie Sanders, o senador radical de esquerda, Sanders não tem como derrotar Hillary nas primárias e os democratas também se unirão em novembro contra o inimigo comum, Donald Trump.

Será uma batalha épica e brutal.