Mercantilismo de Trump fortalece a China no comércio global

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 25/01/2017 08h08
STX34 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS) 24/01/2017.- El presidente estadounidense, Donald Trump (i), se reúne con el director ejecutivo de Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne (d), y otros directores del sector automovilístico en la Sala Roosevelt de la Casa Blanca en Washington, Estados Unidos, hoy, 24 de enero de 2017. Trump dijo hoy a los máximos directivos de los tres principales fabricantes estadounidenses de automóviles que reducirá normativas, regulaciones medioambientales e impuestos para favorecer la vuelta de factorías a Estados Unidos. Trump terminó señalando que es "en gran medida, un medioambientalista" pero que va a reducir los requisitos medioambientales. EFE/Shawn ThewDondald Trump diz que reduzirá regulações ambientais nos EUA para atrais indústrias

Conhecemos o lema de Donald Trump: America First, o país que ele agora preside em primeiro lugar. Alguns irão retrucar que o lema dele é Make America Great Again, mas não será possível tornar o país grande novamente com uma visão estreita, autocentrada e unilateral dos interesses americanos. Com o America First, Trump colocará os Estados Unidos na segunda posição. A China agradece e anuncia que está pronta para assumir o papel de liderança global.

O anúncio foi feito em Pequim esta semana pela diplomacia chinesa. O ditador Ji Xinping se apresenta para ser o timoneiro global com a decisão de Trump de abdicar do papel de liderança americana. Isto, é claro, foi confirmado pelo próprio presidente com a canetada de terça-feira em que removeu os Estados Unidos do pacto comercial envolvendo 12 países no Pacífico.

Era uma promessa de campanha. Promessa cumprida, mas esta é a parte fácil. Agora são as consequências. Trump é chegado em “fatos alternativos”, como lembrou sua assessora política Kellyanne Conway. Não existem, mas há um mundo virado ao avesso. E chegamos num ponto em que eu simplesmente endosso o editorial do ultraconservador Wall Street Journal sobre a lastimável decisão protecionista de Trump, que, por sinal, tem apoio bipartidário.

O pacto do Pacífico foi negociada e assinado pelo ex-presidente Obama e já estava em coma, pois até Hillary Clinton fez campanha contra ele, sem falar a ala mais esquerdista do Partido Democrata. O resultado desta postura mercantilista de Trump (e do seu país) traz mais dúvida sobre os compromissos globais dos EUA e representa um novo ganho estratégico para a China, que marotamente se converte em porta-bandeira do livre comércio.

Como sublinhou o editorial do Wall Street Journal, Obama tinha razão ao posicionar o tratado comercial do Pacífico (que excluía a China) como um freio ao crescente poder de Pequim. Obama, é claro, foi um mau vendedor do projeto e carecia de capital politico para ganhar a parada. Mas, e agora?

Trump não se interessa por pactos multilaterais, mas a China sim. E nestes termos, está vendendo uma parceria no Pacifico sob sua liderança, e os sinais são de que alguns países da região estão se movendo para a órbita de Pequim. Vão pagar caro, pois a China prega livre comércio para suas exportações, mas frequentemente pratica algo diferente em casa.

Trump alega que fora de pactos multilaterais, os EUA terão mais poder de barganha para negociar. Mas o seu recuo fortalece a China e ainda por cima enfraquece o Japão, o grande aliado americano na Ásia.

O mercantilismo de Trump inclui suas pressões para que empresas americanas desistam de negócios no exterior, assumindo a prática de dirigismo industrial. O Wall Street Journal alerta que os danos econômicos desta tal de America First serão sentidos nos meses adiante e o falecimento do pacto comercial do Pacífico será visto como um lamentável divisor de águas.