Na política externa, Donald Trump é brutal

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 04/04/2017 10h34
EEU76 WASHINGTON (ESTADOS UNIDOS), 03/04/2017.- El presidente de EE.UU., Donald J. Trump (d), estrecha la mano de su homólogo egipcio, Abdelfatah al Sisi (i), durante su reunión en el Despacho Oval de la Casa Blanca en Washington, Estados Unidos, hoy 3 de abril de 2017. EFE/Olivier Douliery POOLDonald Trump cumprimenta ditador-presidente egípcio Abdelfatah al Sisi na Casa Branca

Donald Trump é brutal. Em primeiro lugar, sabemos como ele trata sua espécie (a espécie humana), em particular as fêmeas. No entanto, a reflexão aqui é muito mais sobre a visão de mundo do presidente americano e qual deve ser o papel dos EUA no cenário.

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Donald Trump é um presidente transacional (não vamos confundir a expressão com transnacional). Para ele, tudo é uma questão de transação, de fechar um negócio. Este é o modus operandi de um presidente sem argamassa ideológica, sem conhecimento histórico e sem um decálogo de princípios. Trump simplesmente transferiu para a Casa Branca o modus operandi de sua rotina de magnata imobiliário.

O aprendiz de presidente sentiu o drama no fracasso de suas negociações sobre o sistema de saúde no Congresso quando quis transferir seu modus operandi imobiliário para a política. Talvez, Trump tenha um pouco mais de sucesso nas tratativas com dirigentes estrangeiros, especialmente homens-fortes acostumados a mandar, desmandar e bater sem a existência de filtros e freios.

De segunda a sexta, esta é uma semana em que homens fortes dominam a política externa de Trump. Na segunda-feira, Trump recebeu um dos seus ditadores favoritos, o egípcio Sisi, já tratado com respeito pelo presidente em um encontro durante a campanha eleitoral. Sisi não tem escrúpulos, é indiferente a direitos humanos e está focado na luta contra o terror islâmico. Ele fala a mesma língua de Trump.

Mais para o final da semana, será um encontro bem mais importante para Trump, o primeiro com o ditador chinês Xi Jinping. Existem as tensões comerciais e geopolíticas, mas o presidente americano não irá azucrinar o homem-forte chinês com questões sobre direitos humanos.

Obviamente em uma sociedade democrática, existe sempre a colisão entre valores e interesses, entre princípios e pragmatismo. Trump não perde horas de sono (que já são poucas) entretido nestes dilemas. É verdade que os chineses estão ansiosos com as incertezas da era Trump, o bombástico, mas tentam abafar o barulho. Um regime movido a tráfico de influências e nepotismo, como o chinês, se ajusta ao esquema Trump e rapidamente abriu canais diretos com Jared Kushner, o primeiro genro.

Trump também já demarcou a linha vermelha na Síria: está à vontade com o genocida Assad. Tampouco tem problemas para transacionar com sauditas e os tiranetes do golfo Pérsico. Sobre repressão na Rússia, nenhum tuíte indignado.

Se podemos dizer que existe uma doutrina em relações internacionais para este começo da era Trump é o hiper-realismo. Em outras palavras, um brutal esquema transacional, desprovido de compasso moral, curto e grosso como os tuítes presidenciais.