Não é queimando ônibus que se vinga a morte de um traficante

  • Por Jovem Pan
  • 23/04/2014 18h24

Atentado ocorreu no início desta madrugadaÔnibus incendiados em Osasco

Nêumanne, em que incendiar ônibus vai diminuir a mortandade de traficantes de drogas em São Paulo e no Brasil?

Um grupo de facínoras invadiu a garagem da viação Urubupungá, que faz transporte intermunicipal de São Paulo para Osasco, também na Grande São Paulo, e incendiou 34 ônibus. É a represália pela morte de um traficante de 19 anos, que o bando vingou desse jeito.

Em primeiro lugar, é uma violência absurda, estúpida, porque não vai ser queimando ônibus que vai ser vingada a morte do traficante, nem que vai parar de haver confronto entre a polícia e traficantes, que vai durar eternamente, uma vez que o tráfico de drogas é proibido e a polícia existe, é paga pelo público para continuar reprimindo.

Agora, essa estupidez é maior ainda, porque é uma vingança covarde, calhorda, porque é uma vingança contra o povo, que não tem nada a ver com a morte do traficante. Em primeiro lugar, o traficante teve um confronto com a polícia, sabe-se lá como é que foi, e o povo usuário do ônibus não tem nada com isso. E quem paga esse pato é o usuário, que vai entrar, que vai ser transportado num ônibus que vai ser sucatado, mas, pior do que isso, vai ficar fora da linha, criando mais problemas para o transporte público e tornando a viagem… A espera maior pelo transporte e a viagem mais desconfortável, e o ônibus mais lotado.

Você pode me dizer – e terá toda razão – que a polícia também não tem um grande feito a comemorar nesse fato. Não pela morte do traficante, porque isso aí tá na própria rotina dos policiais em ação numa cidade violenta como São Paulo ou numa região metropolitana como a Grande São Paulo. O problema é que a polícia não consegue evitar e se acontece um caso como esse, dessa violência, a polícia não consegue reprimir de tal forma que outros bandidos que tentem, que pensem em coisa semelhante, sejam dissuadidos, digamos assim, a não fazer de novo.

Agora, de qualquer maneira, o pobre é sempre a vítima da violência. Então, vamos acabar com essa história de que a violência é uma espécie de vingança de Robin Hood de pobre.