Nesta semana, o futuro da Europa estará em jogo

  • Por Caio Blinder
  • 20/06/2016 09h54
Brexit

Não é exagero dizer que o futuro da Europa está em jogo esta semana e, por extensão da importância do velho mundo, as ramificações são globais. A próxima quinta-feira (23), é dia do referendo na Grã-Bretanha sobre a permanência do país na União Europeia. 

Vamos lembrar que o reino Unido não integra a zona do euro, mas sim o projeto mais amplo da União Europeia. Segunda economia do continente e uma potência clássica, não há dúvida que, caso decidam sair do bloco, os britânicos vão afrouxar o projeto. 
Pesquisas nos últimos dias mostravam uma vantagem do voto pela saída, mas o impacto do assassinato da deputada trablahista Jo Cox, favorável à permanência, deve afetar o pleito. 
No centro da decisão crucial estão questões sobre identidade nacional, cansaço com as elites europeias e um cálculo que os economistas consideram errado que Estado britânico tem mais a ganhar fora do parlamento de Bruxelas.
 
Eu ainda acredito que, no final das contas, vencerá o voto a favor da permanência e, para os burocratas da europeus, é um artigo de fé que o bloco sempre emerge mais forte de uma crise.

No entanto, o cenário provável, mesmo com a vitória da permanência do Reino Unido, é que o maior bloco econômico do planeta irá, uma vez mais, meramente seguir adiante aos tropeções, aguardando o próximo desafio à sua existência.

O idealismo dos fundadores do ideal de uma Europa unida era inconfundível e nobre, há seis décadas atrás, para abafar os antagonismos que provocaram tanta destruição das Guerras Mundiais, ao longo do caminho, porém, são soluções remendadas para as crises, em geral, com a imposição da vontade alemã (como no “diktat” de austeridade aos países mediterrâneos da Zona do Euro).

Agora, estão patentes as deficiências e e desafinação entre os Estados membros ao explodir o rojão da crise dos refugiados. As gambiarras feitas para costurar o tecido rasgado, como Angela Merkel tenta ao “organizar” a entrada dos forasteiros, apenas inflamaram os sentimentos nacionalistas.

É óbvio que é necessário abandonar o improviso na administração das crises e desafios. O New York Times diz que é preciso “repensar o status quo“, contudo, se a prática continuar, é sinal de que a margem de manobra é pequena. Claro que nunca seria fácil dissipar os nacionalismos e os interesses estatais em um sonho de unificação continental que exige sacrificar a soberania local.

Eu confesso estar entre aqueles que minimizaram as dificuldades de integração, embora continue não vendo um caminho alternativo como a saída.