Ninguém sabe exatamente o que fazer com a Coreia do Norte

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 07/03/2017 09h16
Kim Jong Un - Reprodução

A Coreia do Norte testa mísseis e também as águas geopolíticas, medindo o novo governo americano de Donald Trump. Na segunda-feira (6), a dinastia Kim lançou quatro, que voaram a uma média de mil quilômetros, antes de caírem no mar entre a Coreia do Norte e o Japão

Foi a segunda revoada desde a posse de Trump em 20 janeiro. Enquanto o novo presidente dispara tuítes insanos contra o antecessor Barack Obama, o regime insano de Kim Jong-un dispara mísseis. Há motivos para nervosismo em Washington, Tóquio e Seul (onde o clima político está simplesmente insano com os escândalos de corrupção no mundo político e empresarial sul-coreano).

O regime norte-coreano está particularmente ativo para desenvolver a tecnologia com vistas a viabilizar o uso de seu arsenal nuclear. Lá no horizonte, está a ambição de desenvolver mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir os EUA. A promessa é de um teste ainda neste ano. Com a Coreia do Norte nunca se sabe se é blefe ou para valer.

E no meio do caminho, houve a oportunidade para Kim Jong-un asssasinar seu meio-irmão no aeroporto de Kuala Lumpur com o uso de gás VX, o mesmo usado por Saddam Hussein para o genocídio de curdos nos anos 80. O recado do ditador genocida de Pyongyang foi claro: eu também posso.

Como reagir? Não existem as chamadas boas opções, num cenário que lembra o lodaçal e os campos da morte na Síria. No fim de semana, o New York Times reportou que a nova equipe de segurança nacional de Trump (ufa, finalmente ele tem uma) discutiu novas opções contra a Coreia do Norte, inclusive a reintrodução de armas nucleares na Coreia do Sul.

Em Seul, existe um acalorado debate político sobre instalar um sistema americano de defesa antimísseis, o que enfureceria a China, aliada dos norte-coreanos, mas irritada com as insanidades de Kim Jong-un. Este sistema de defesa antimísseis é tema central da campanha eleitoral para presidente da Coreia do Sul e a maioria dos candidatos não apenas se opoē à sua instalação como prega melhores relações com Pyongyang.

Ninguém sabe exatamente o que fazer com a Coreia do Norte, enquanto ela dispara mais mísseis e Donald Trump, mais tuítes. Ao menos o novo presidente deixou de falar bobagens sobre aliados tradicionais dos EUA como Japão e Coreia do Sul, prometendo defendê-los em caso de ataque norte-coreano.