O centro ainda segura as pontas na Europa

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 27/04/2017 08h01

Matteo Salvini (Itália)Matteo Salvini

No dia seguinte à posse de Donald Trump em 20 de janeiro, um movimento que podemos chamar de Internacional Nacionalista estava em êxtase. Líderes da extrema-direita europeia, capitaneados por Marine Le Pen, se reuniram em Coblença, na Alemanha, para celebrar o triunfo do companheiro Donald e prenunciar vitórias para o etnonacionalismo na sua cruzada contra o globalismo, as forças de inclusão, a tolerância e o tal do politicamente correto.

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A celebração era abençoada lá de Moscou por Vladimir Putin, então feliz com a vitória de Trump, na sequência do voto no referendo Brexit, que sacramentou a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, enfraquecendo a ordem liberal global.

No convescote de Coblença, Marine Le Pen bradou que “nós estamos vivendo através da morte de um mundo e o nascimento de um novo mundo”. Celebração precoce. Primeiro em março, o dique conteve o avanço de outro diabo loiro europeu, Geert Wilders, nas eleições holandesas.

E agora nas eleições francesas, Emmanuel Macron, que pode ser definido como um extremista de centro, caminha para vencer no segundo turno em 7 de maio. Ele vai duelar contra Marine Le Pen e uma coalizão de centro-esquerda e de centro-direita (a velha Europa desprezada pelos extremistas de esquerda e direita) montou as barricadas mais para deter a extrema direita do que para apoiá-lo.

Em parte, é o efeito Trump, mas ao contrário. A Europa viu o espetáculo nos EUA e não ficou eletrizada. As incertezas Brexit também têm o impacto e o núcleo duro da União Europeia deixa claro que o preço de saída do projeto será salgado.

Angela Merkel, o pilar europeu, parecia que balançara, mas se mostra novamente sólida e sua vitória nas eleições alemãs de setembro cada vez mais provável. E caso não seja a democracia-cristã de Merkel (centro-direita) será a familiar social-democracia (centro-esquerda).

O fenômeno populista reflui no país e o partido extremista Alternativa para a Alemanha murcha nas pesquisas de opinião e atravessa uma crise interna, com uma ala dominante impondo um caminho ainda mais radical.

Partidos populistas de direita tomaram o poder na Hungria e Polônia, mas o núcleo original da União Europeia na frente ocidental resiste ao avanço do etnonacionalismo.

Por ora, o centro segura as pontas. Existem limites para folias populistas pouco mais de 70 anos depois da Segunda Guerra Mundial, mas sem ilusões. O atestado de óbito da velha Europa, assinado em janeiro por Marine Le Pen, foi prematuro, mas o paciente continua frágil. Ele conseguiu se reanimar um pouco quando viu os diabos nos dois lados do Atlântico e decidiu que ainda não chegou o momento de partir.