O clima para Hillary parece ter ficado mais nebuloso

  • Por Caio Blinder
  • 27/05/2016 09h35
Montagem sobre fotos/EFE Donald Trump e Hillary Clinton mantiveram suas vantagens e trocaram acusações sobre combate ao terrorismo

 Tudo pareceu meio nebuloso para Hillary Clinton nesta semana. Depois de uma pilha de pesquisas mostrando uma disputa eleitoral apertadíssima entre ela e o republicano Donald Trump, saiu a auditoria independente do Departamento de Estado confirmando que ela violou regras de segurança interna no uso do seu e-mail e servidor privados nos tempos em que era secretária de Estado.

Os dados divulgados reforçam a percepção de que a democrata é uma candidata fraca (ainda há a pedra no sapato Bernie Sanders no caminho das primárias) e que ela não é uma pessoa honesta. E, na última quinta-feira (26), Trump atingiu a marca mínima de 1237 delegados necessários para garantir a indicação republicana. Uma formalidade. Ele já não tem rivais partidários.

Existem, porém, consolos. Pesquisas são prematuras quando os americanos se preparam para o seu verão e os rigores da campanha serão sentidos a partir de setembro. Até lá, haverá a coroação de Hillary como candidata na convenção democrata e, como é a praxe, haverá união interna contra o inimigo externo, Trump.

Basta lembrar que, em abril de 2008, o republicano John McCain liderava as pesquisas na corrida presidencial contra Barack Obama que, para além disso, ainda tinha uma dor de cabeça nas primárias democratas com uma teimosa rival que se recusava a abandonar a disputar. O nome? Hillary Clinton.

Sobre a auditoria do Departamento de Estado, está claro que acarreta em dano político para Hillary. No entanto, não se configura como crime, já que não houve recomendação do inspetor-geral para que a ex-secretária de Estado seja investigada ou punida.

E a expectativa é de que não haja um indiciamento pelo FBI, que realiza sua própria investigação e deverá entrevistar a candidata nas próximas semanas. Aí sim, Hillary estaria mal servida, acabada, levando o vice-presidente Joe Biden a lamentar, mais uma vez, ter ficado de fora da corrida presidencial.

Para Trump, um mestre das teorias conspiratória e que atua na chamada zona livre de fatos, no entanto, existe munição de sobra. Nos comícios, ele se diverte alvejando “crooked Hillary”, a trapaceira. Só falta Hillary convencer os eleitores que a trapaça suprema será transformar a Casa Branca em mais uma Trump Tower. E nada de disparar a mensagem no seu e-mail privado.