O Estado Islâmico, um episódio de uma longa guerra

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan Nova Iorque
  • 21/06/2017 10h53 - Atualizado em 29/06/2017 00h55
RNC002 AL BADIA DE PALMYRA (SIRIA), 13/06/17.- Fotografía cedida por la agencia de noticias siria SANA que muestra a varios oficiales del Ejército sirio en su carro de combate después de una operación para expulsar a fuerzas terroristas del Estado Islámico en Al Badia de Palmya, al sur de Siria hoy, 13 de junio del 2017. EFE/SANA/SÓLO USO EDITORIAL/PROHIBIDA SU VENTAOficiais do exército da Síria após expulsar forças terroristas do Estado Islâmico em Al Badia de Palmira

O enredo do terror corresponde às expectativas. O Estado Islâmico compensa suas perdas nos campos de batalha do Siraque, Síria + Iraque, com ações terroristas em outras frentes de combate para ganhar espaço promocional e psicológico.

Em alguns momentos, existe a sensação de cerco em grandes cidades da civilização como Paris e Londres, mas sabemos que o Estado Islâmico está encurralado no Siraque e aqui não deveria haver uma grande surpresa.

Ao contrário do Talibã no Afeganistão, do qual pretende ser rival, o Estado Islâmico inventou o tal do califado no Siraque, mas nunca teve condições de se enraizar na região. Existem muitos competidores em conflitos multidimensionais.

Combater o Estado Islâmico como uma obsessão e sem foco estratégico é o modo de operação dos EUA de Donald Trump. Ele chegou agora para uma longa guerra e quer uma vitória rápida. Como no seu triunfo eleitoral, acredita que martelar alguns slogans e investir sem cessar contra os mesmos alvos são táticas suficientes. No entanto, cadê a estratégia?

Existe, é verdade, uma barragem de fogo em Mosul (Iraque) e Raqqa (Síria), os bastiões urbanos do Estado Islâmico. A presença jihadista desaparece gradualmente, mas também de civis, devido a bombardeios aéreos indiscriminados de americanos e aliados.

Nas batalhas no Siraque, grandes cidades da civilização são grandes vítimas. Basta ver o que Bashar Assad e Vladimir Putin fizeram em Aleppo no combate contra rebeldes (que não eram do Estado Islâmico) que ocupavam parte da cidade síria.

Assad e Putin pensam adiante, preparando-se para a próxima guerra. Provocações são feitas contra os americanos com o objetivo de que batam em retirada. A presença americana na Síria é como um corpo que deve ser expelido.

Barack Obama nem quis chegar na encruzilhada. Após inventar uma linha vermelha na Síria, ele simplesmente recuou. As indicações são de que Trump está na encruzilhada e devemos levar em conta que no Siraque e no Afeganistão, o presidente-tuiteiro terceirizou as decisões para os chefes militares americanos, empenhados em aprofundar o engajamento, mas obviamente temerosos de uma choque com os russos, os grande patronos de Assad.

Devemos lembrar que há uma visão mais ousada e perigosa em alguns setores em Washington de considerar o Estado Islâmico como uma primeira fase. Em seguida, será o acerto de contas com inimigos comuns do movimento terrorista que são o Irã, sua tropa de choque que é a milícia terrorista xiita libanesa Hezbollah e o próprio regime de Assad.

No entanto, as ambições do aprendiz Trump no Oriente Médio são focadas, como eu disse, na aniquilação do Estado Islâmico, mas o jogo é mais complexo e perigoso em uma região onde se combinam rudeza militar e finesse diplomática.

Em Washington, existe uma vazio estratégico e um excesso de advogados com os escândalos da era Trump. Uma vitória contra o Estado Islâmico parece cada vez mais provável, mas no arco da história será vista como um episódio de uma guerra mais ampla e mais longa, muito além do episódio Trump no capítulo americano.